quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ganhando dinheiro com processos judiciais

Se você mora no Brasil há mais de 20 minutos, sabe bem que os órgãos de proteção ao consumidor são sucateados, e as grandes empresas se aproveitam disso para dar aquela cagadinha marota na cabeça do consumidor.

Funcionários do Procon trabalhando intensamente
Faz um tempo que eu resolvi não deixar barato quando uma empresa me sacaneia, e percebi que processos judiciais são uma excelente forma de ganhar dinheiro.

Foi por isso que, em 2015, ganhei R$ 4.000,00 de indenização por dano moral quando processei a C&A por ter me negativado indevidamente. Contei essa história com detalhes neste post.

Seu Madruga com os R$ 4.000,00 recebidos da C&A
Ainda em 2015, processei uma empresa aérea e ganhei passagens de ida e volta para a Europa, para mim e para acompanhante, conforme compartilhei neste post.

Passagem aérea não é dinheiro, eu sei, mas consegui elas de graça, e no período em que vou viajar vocês não encontram passagens para dois adultos por menos de R$ 7.000,00.

Seu Madruga na Europa
E meu último sucesso judicial veio agora, em fevereiro de 2017.

No fim do ano passado, comprei uma estante de R$ 300,00 pela internet e não recebi. Processei a empresa e a audiência de conciliação foi há alguns dias atrás.

Fechei um acordo com a empresa onde receberei de volta os R$ 300,00 que foram debitados da minha conta, e R$ 1.500,00 de danos morais que turbinarão o aporte de fevereiro.

Em breve segurarei os R$ 1.500,00 mais fáceis que já ganhei na vida
A lição do post de hoje é: grandes empresas desrespeitam o consumidor o tempo inteiro, e saber quando e como processá-las é um conhecimento valioso para embolsar uma grana extra de vez em quando.

Se vocês se interessarem pelo assunto, posso fazer um post bem didático de como processar no juizado especial cível (pequenas causas), inclusive sem a necessidade de contratar um advogado.

Mas diz aí, amigo, já passou perrengue na mão de alguma empresa? Procurou o Procon? Processou? Ganhou, perdeu, fez acordo, matou o dono da empresa?

Aquele abraço!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Desempenho janeiro/2017

Saudações, confrades! A partir de hoje volto a usar a planilha do AdP:




Como vocês podem ver, o aporte em janeiro foi meio nanico. Isso ocorreu pelos seguintes motivos:

1) Prejuízo na viagem para o Uruguai/Argentina

Como já adiantei para vocês em algum post passado, a viagem em questão foi bem agradável e deu para descansar bastante.

Fui pagando por essa viagem ao longo de todo o ano de 2016, e por conta disso nenhum dos meus aportes foi seriamente comprometido por ela.

No entanto, sofri um contratempo durante a viagem que me custou aproximadamente 700 temers, ou seja, R$ 700,00  a menos no aporte de janeiro. 

Como me sinto quando lembro do perrengue que passei.
O que aconteceu foi o seguinte:

Faltando poucos dias para a viagem eu me dei conta que meu passaporte estava vencido.

Não entrei em pânico pois existe um acordo entre os países membros do Mercosul que permite viajar sem passaporte, apenas com cédula de identidade.

Com a identidade em mãos, entrei no Uruguai sem qualquer problema e pude curtir as férias.

Seu Madruga nas praias uruguaias
Depois de um dia em Colonia del Sacramento, ainda no Uruguai, chegara a hora de pegar o barco rumo à Buenos Aires, fazendo o seguinte percurso:

São aproximadamente 45 min de barco.
No porto de Colonia del Sacramento, você passa primeiro pela imigração uruguaia, e logo em seguida pela imigração argentina, para aí sim entrar no barco rumo à Buenos Aires. 

Passei pela imigração uruguaia sem qualquer problema. A treta começou no guichê da imigração argentina. Cheguei lá e o agente ficou encarando minha cédula de identidade em silêncio por minutos a fio. 

O cara da imigração argentina ficou tanto tempo encarando minha identidade que comecei a ficar nervoso
Depois da alguns minutos de tensão, veio o veredito: "Na argentina você não entra!"

Com um portunhol digno de quem fez dois anos de curso de espanhol no Fisk durante a adolescência, perguntei ao infeliz por qual motivo eu estava sendo impedido de entrar no barco e seguir viagem.

O cara respondeu que eu não poderia seguir viagem pois minha identidade era velha, e por velha ele se referia ao fato de que o documento foi emitido há mais de 5 anos.

Como eu tinha lido letra por letra do acordo do Mercosul antes da viagem, expliquei pro cara da imigração argentina que não há nada no acordo que proíba identidades emitidas há mais de cinco anos, e argumentei também que não faz sentido algum, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, uma pessoa ficar trocando de cédula de identidade a cada meia década.

Nada convenceu o sujeito, que manteve a decisão de me barrar.

Minha namorada estava com passaporte e passou pela imigração sem problemas, então, como forma de amenizar prejuízos, sugeri que ela entrasse no barco e seguisse viagem sozinha, enquanto eu ficaria no Uruguai e daria um jeito de chegar em Buenos Aires.

Barrado no baile. Hora de botar o cérebro para funcionar e encontrar uma forma de chegar em Buenos Aires.
A solução que encontrei naquele momento foi tentar a sorte em outro porto. Resolvi pegar um ônibus para Montevidéu, capital do Uruguai, e no porto de lá tentar pegar um barco Montevidéu x Buenos Aires, ainda assim correndo o risco de ser barrado mais uma vez por algum agente de imigração argentino malparido.

Meu plano pra chegar em Buenos Aires evitando o porto de Colonia del Sacramento
Depois de quase 3 horas de viagem, cheguei na rodoviária de Montevidéu.

Sem tempo para ficar procurando sinal de wi-fi e chamar um Uber, peguei um táxi rumo ao porto. Se o serviço de táxi no Brasil já é uma bosta, em Montevidéu consegue ser bem pior. Além da tarifa ser cara, os carros são todos da década de 80 e os motoristas têm uma antipatia de dar inveja aos taxistas brasileiros.

Cheguei no porto de Montevidéu e comprei a passagem do barco rumo à Buenos Aires. 

Fiquei bem apreensivo com a possibilidade de ser barrado pela imigração argentina novamente, mas dessa vez deu tudo certo, passei pelo guichê e entrei no barco sem qualquer drama, sem esse papo de "identidade com mais de 5 anos", que era pura invenção do desgraçado que me barrou em Colonia del Sacramento.

Seu Madruga rumo à Buenos Aires
Consegui chegar em Buenos Aires e aproveitar o resto da viagem sem nenhum outro incidente, mas essa história que contei para vocês me custou R$ 700,00 entre passagem de ônibus, táxi, nova passagem de barco e IOF, além de ter perdido praticamente um dia inteiro.

Meu conselho ao estimado leitor: ignore o acordo do Mercosul e só viaje com passaporte. Se um agente de imigração descobrir que está sendo traído pela esposa e resolver descontar a raivinha em viajantes, ele está muito mais propenso a barrar um portador de cédula de identidade do que um portador de passaporte.

2) Conselho de classe e IPTU

Além dos R$ 700,00 citados no item acima, em janeiro resolvi pagar à vista a taxa do conselho de classe (R$ 629) e o IPTU (R$ 193). 

São R$ 822,00 a menos no aporte, mas não dá pra fugir dessas despesas e para mim a melhor forma de lidar com elas é pagando à vista, com desconto, pra esquecer que isso existe até o ano que vem. Bem melhor do que ficar mês a mês se preocupando com parcelas.

Esses itens "1" e "2" citados acima significaram +- R$ 1.500,00 a menos no aporte de janeiro, mas não vou ficar me lamentando. Fico feliz por ter grana para lidar com as inconveniências da vida e também para poder cumprir minhas obrigações financeiras.

Conclusão:

No mais, cheguei nos R$ 25k. Ainda é pouco, mas estou me recuperando da compra do apartamento mais rápido do que eu esperava. 

Esse dinheiro está na poupança e não sei bem o que fazer com ele. Queria renda fixa, mas os dias de glória da RF pelo visto acabaram e minha corretora não está oferecendo nada muito atrativo. Agradeço se alguém tiver alguma sugestão de onde aplicar esse recurso.

Aquele abraço!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Crônicas da Matrix Financeira: Reginaldo, o herdeiro

Reginaldo era um dos clientes pessoa física mais ricos da minha empresa. 

Como eu tinha livre acesso às declarações de imposto de renda dele, posso afirmar com absoluta convicção de que seu patrimônio superava os R$ 50 milhões, com boa parte da bufunfa imobilizada em imóveis comerciais alugados e aplicações merda na renda fixa que ele realizava sob a orientação de um primo que é gerente de banco.

"Olha aqui, Reginaldo, essa LCI ma-ra-vi-lho-sa 70% do CDI que eu consigo com exclusividade pra você".
Se você leu o título deste post, já sabe a origem da fortuna de Reginaldo: ele herdou tudo de seu falecido pai, que era pecuarista, dono de frigorífico, dono de postos de gasolina, de imóveis comerciais, de empresa de logística, enfim, o pai dele era uma daquelas pessoas que nasceu bem pobre e fez fortuna tocando um monte de atividades ao mesmo tempo (sabe-se lá como).

Até empresa de limpar porão de navio o pai do Reginaldo tinha
Se o pai era um self-made man, o mesmo não se pode dizer em relação ao Reginaldo. Ele nasceu num berço de ouro decorado com diamantes e esmeralda, e, diante de tanto conforto, se tornou uma espécie de criança de 40 anos irresponsável e preguiçosa ao ponto de sequer se dar ao trabalho de aprender a escrever direito.

Reginaldo era gordão, alcoólatra em negação e fumante assumido.

Vivia numa interminável briga judicial com o irmão por entender que foi sacaneado na divisão da herança deixada pelo pai, vivia outra briga sem fim com duas ex-esposas, teve três filhos dentro dos casamentos e um fora, e só não ignorava por completo a existência do filho bastardo pois foi compelido judicialmente a pagar pensão alimentícia.

Um resumo dos passatempos favoritos de Reginaldo: beber e fumar.
Dominado por problemas, rancores e vícios, nosso antiherói teve um AVC e morreu em 2014, aos quarenta e muitos anos.

Seu corpo nem esfriou no IML e a primeira ex-esposa dele já batia na porta da minha empresa pedindo as últimas declarações de imposto de renda do defunto, para dar início à briga pelos bens deixados para trás.

O destino dos bens de Reginaldo? Será (se é que já não foi) dividido entre os filhos - inclusive o bastardo que ele tanto odiava -, e, como são todos menores de idade, provavelmente será administrado pelas mães das crianças, que certamente levarão uma vida de dondoca.

Pararabéns, Reginaldo, por entregar o patrimônio suado do seu pai para as suas ex-esposas.
Você que passa a vida toda em busca da independência financeira, repare que Reginaldo ganhou na loteria da vida: nasceu e recebeu a IF de mão beijada, sem precisar fazer o menor esforço.

Diante de tamanho presente, o que o cara fez? Se transformou numa pessoa tão desagradável que nem ele mesmo se aguentava, morreu cedo e não fez falta a ninguém, exceto a mim, que perdi um cliente rs.

E se você acha que isso é um caso isolado, posso afirmar para você que tenho um outro cliente herdeiro milionário que, adivinhem só, também é completamente surtado! Mas quem sabe um dia faço um post específico sobre ele.

Por mais que você não seja herdeiro de uma fortuna, ainda assim é possível extrair algumas lições do post de hoje:

Pense um milhão de vezes antes de tomar certas decisões em sua vida, especialmente aquelas difíceis ou impossíveis de desfazer, do tipo casar, quem será a mãe dos seus filhos, de que forma você tratou seu corpo durante a maior parte da sua vida etc.

De nada adianta você alcançar a independência financeira mas ter feito tanta cagada na vida ao ponto de se tornar uma pessoa surtada, cheio de daddy issues, arrependimentos, raivinhas, picuinhas e problemas de saúde! Você não vai aproveitar bulhufas dessa forma!

Sempre dizem por aí que é melhor ser infeliz numa jacuzzi de um hotel cinco estrelas em Paris do que numa favela. Não, meu amigo, o melhor é não ser infeliz! E para isso basta fazer o esforço de não agir por impulso e refletir bastante antes de tomar decisões capazes de influenciar no curso da sua vida.

Aquele abraço!

Post relacionado:

Crônicas da Matrix Financeira: Vanessa, a assessora

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

De volta ao Brasil em grande estilo

Bom dia, confrades!

Essa foi minha terceira viagem ao Uruguai, e devo dizer que a paz que impera naquele país nunca deixa de me surpreender.

Mesmo sendo um país de terceiro mundo, no Uruguai você pode caminhar pelas cidades sem medo, se meter nos matagais sem preocupação em cruzar com o maníaco do parque, enfim... é um ótimo lugar para se desligar e renovar as energias.

A paz que sinto no Uruguai.
Curioso foi o meu retorno ao Brasil.

Cheguei no aeroporto da minha cidade à noite e logo fui abordado por dois taxistas.

_ Táxi?! Precisa de táxi, irmão?!
_ Preciso não, obrigado.
_ Irmão, se você pegar Uber a gente vai atrás de você, ok?

Minha reação quando já chego sofrendo ameaça
Nem morto eu pagaria R$ 20 num táxi. Esperei os dois taxistas mau humorados arranjarem serviço e sumirem do aeroporto e, aí sim, chamei um Uber. Preço da viagem: R$ 9,60. Taxistas de todo o Brasil: vão se fuder.

Chegando na frente do meu prédio, noto que a mercearia que tem ao lado havia colocado o lixo pra fora, e dentro do lixo havia um monte de sacos de biscoito de polvilho, provavelmente vencidos.

Uma crackuda estava com a cara enfiada no lixo da mercearia, comendo polvilho como se fosse a melhor refeição do universo, espalhando biscoito e outros sacos de lixo por toda a calçada.

Crackuda jantando
Um caminhão de lixo que veio na cola do meu Uber parou em frente à mercearia e um dos lixeiros não ficou nada feliz com toda aquela porcaria espalhada pelo chão.

_ Noiada filha da puta! Cagou a calçada toda! - disse o lixeiro num tom pouco amigável.
_ Já tava assim quando eu cheguei.
_ Já tava assim o caralho! Vou ter que limpar essa merda! Vagabunda! Vaza daqui antes que eu te jogue na caçamba junto com o lixo!

Percebendo que o lixeiro não estava no melhor dos humores, a crackuda levantou e foi se afastando lentamente, enquanto resmungava qualquer coisa, provavelmente palavras depreciativas dirigidas à mãe do profissional da limpeza pública.

_ O que você disse, sua noiada? Fala mais alto! Vem cá!

Nesse momento, o lixeiro pegou um pedaço de pau dentro da caçamba do caminhão e começou a andar em direção a crackuda. Percebendo a surra que estava por vir, a crackuda saiu correndo desesperadamente e o lixeiro disparou atrás dela.

Enquanto os demais lixeiros do caminhão e o porteiro do meu prédio morriam de rir, a crackuda sumia de vista enquanto gritava "ai! para, porra!".

Eu testemunhando aquela cena. Mal cheguei em casa e já estou com saudade do Uruguai.
Mas enfim, voltei ao caos urbano com as energias renovadas. Que venha 2017!