domingo, 20 de dezembro de 2015

Metas para 2016 e estatísticas do blog

Hoje à noite viajarei alguns milhares de quilômetros para visitar minha mãe e passar o natal e ano novo com ela.

Quero distância do computador enquanto estiver por lá, então este é meu último post em 2015 (ainda pretendo ler e comentar nos blogs usando o celular).
 
Em consideração aos leitores do blog que me apoiaram na busca pelos R$ 70 mil, já adianto que alcancei tal meta com alguma folga. Não vou me adentrar sobre esse assunto pois haverá post específico sobre meu desempenho no começo de janeiro.

Sem mais delongas, vamos às metas para 2016 (no fim do ano que vem farei post informando se consegui cumpri-las ou não):

Meta 1 - alcançar R$ 100.000,00.

Trata-se de uma meta pouco ousada, que leva em consideração a insegurança que estou sentido em relação ao ano que vem (definitivamente não sei dizer se o ano será bom ou ruim para minha empresa), bem como as despesas que terei com as metas 2, 3 e 4. 

Meta 2 - registrar imóvel em nome da minha mãe 

Minha mãe tem um imóvel de 3 quartos na cidade em que ela mora, e esse é basicamente o único patrimônio relevante que ela possui.

Ela tem todos os documentos mostrando que comprou e quitou o imóvel em questão, mas não registrou o bem em nome dela junto ao Cartório de Registro Geral de Imóveis.

Amigos, pelas barbas do profeta, é o registro da compra no RGI que torna sua aquisição oponível contra terceiros.

Não quero adentrar nesse assunto pois não é o propósito do post, mas o fato é que existem variadas formas de você tomar no meio do cu ao comprar um imóvel e não transferi-lo para seu nome no RGI.

Enfim, o fato é que ela cometeu essa cagada e hoje em dia não tem a menor condição financeira de arcar com os custos do registro.

Isso me afeta indiretamente, pois me incomoda saber que ela corre algum risco (por mais que ela não perceba), e diretamente, na condição de herdeiro direto do bem.

Enfim, fica aí a meta para 2016: pagar o que tem que ser pago para registrar esse imóvel em nome dela, e isso não vai ser nada barato.

Bate uma tristeza toda vez que calculo os custos do registro
Meta 3 - ir pra Europa

Conforme expus detalhadamente neste post, processei uma empresa áerea e ganhei passagens de graça para a Europa, ida e volta, para mim e para acompanhante (no caso, namorada).

O € está nas alturas, o que encarece bastante a viagem, mas ainda assim não quero perder a oportunidade de voar de graça para a Europa, então farei essa viagem em 2016.

Planejarei bastante para tentar fazer uma viagem econômica, posso definir a data que eu quiser e se for necessário ficarei na Europa só uma semana, mas não dá pra negar que esse passeio comprometerá o aporte.

Meta 4 -quitar saldo devedor

Quitar o saldo devedor mencionado neste post no primeiro semestre de 2016.

Meta 5 - exercícios físicos

Mantive alimentação nada saudável na maior parte de 2015, só nos últimos meses comprei um fogão, passei a cozinhar minha própria comida e me alimentar melhor.

Se por um lado consegui evoluir no quesito alimentação, por outro fui sedentário em termos de exercício físico o ano inteiro, ganhei peso e estou insatisfeito com essa situação.

A meta aqui é praticar exercícios físicos no mínimo 16x/mês. Ainda não defini qual, talvez bicicleta, talvez academia.

Meta 6 - cortando veneno

Em 2015 estipulei a meta de não tomar refrigerante e consegui cumpri-la integralmente. Nesse ano que se vai não entrou um mililitro sequer de refrigerante dentro do Madruga, e espero manter isso pelo resto da vida.

No começo foi difícil, refrigerante costuma ser uma bebida extremamente acessível em qualquer lugar que envolva alimentação e socialização, mas depois de um tempo se tornou fácil de evitar, hoje não sinto falta alguma.

2016 está chegando e gostaria de cortar mais um veneno da minha vida. O veneno da vez será qualquer tipo de suco que tenha adição de conservantes, sódio, açúcares, aromas artificiais, corantes, enfim, sucos industrializados em geral, que costumam ser tão prejudiciais à saúde quanto refrigerantes.

Você que está procurando metas para 2016, considere abandonar o refrigerante

Meta 7 - livros

Não controlei quantos livros li em 2015, mas acredito que foram mais de 20.
Como em 2016 quero ocupar parte considerável do meu tempo livre com exercícios físicos, acho importante estipular uma meta para livros com o intuito de não desandar no quesito leitura. 

A meta será de pelo menos 12 livros lidos no ano, ou seja, aproximadamente 1 livro/mês. Como eu realmente gosto de ler, não vou trapacear lendo micro-livro para fraudar a meta.

Meta 8 - mestrado

Há um tempo atrás concluí uma pós-graduação na FGV que achei um saco e me custou uma bela grana (algo entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, não lembro bem).

Quando terminei aquela pós, a única certeza que eu tinha era de que não queria pisar numa sala de aula de novo tão cedo!

Esse sentimento já passou e acredito ser hora de retomar minha qualificação.

Tentarei entrar no mestrado da universidade onde fiz a graduação, o que pode não ser fácil tendo em vista que o processo seletivo é meio obscuro e os aprovados são escolhidos a dedo, e já faz alguns anos que eu perdi contato com os professores que coordenam o mestrado.

O mestrado é de graça pois a universidade é pública, e cairia muito bem no meu currículo, então não custa nada tentar! 

Para encerrar, algumas palavras sobre o blog:

O blog nasceu em 17/03/2015, ganhou visibilidade considerável desde então, e hoje em dia recebe aproximadamente 100 visitantes/dia quando não posto nada e 5x isso quando posto alguma coisa. 

O feedback tem sido positivo e a necessidade de moderar os comentários foi praticamente nula, a exceção de alguns spams e agressões aleatórias proferidas contra terceiros.

Para quem tiver curiosidade, seguem as estatísticas do blog:

Os 10 posts mais acessados:



As 10 maiores origens de tráfego:

Os 10 maiores países de origem de tráfego:


Visualizações por navegador:


Visualizações por sistema operacional:


Total de receitas do Google Adsense:

TÔ RICO
Falando sério agora para quem quiser ganhar dinheiro criando conteúdo na internet: talvez seja melhor você tentar sua sorte no Youtube. A título de exemplo, com um vídeo de pouco mais de 1 minuto, alguém conseguiu mais views do que meu blog inteiro, que tem 30 posts e alguns deles demandaram tempo para serem escritos.



No mais, agradeço a todos que vem acompanhando o blog e minha jornada sem fim rumo à independência financeira.

Espero vê-los por aqui no ano que vem!

Feliz Natal e próspero ano novo!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O estagiário cara de cu e o poder do networking

Ontem estive em uma repartição pública e fui inicialmente atendido por um estagiário.

Fazendo cara de cu e dando respostas monossilábicas, ele não soube dar a informação que eu precisava. Aliás, ele parecia não ter dedicado um neurônio sequer para captar o que eu estava dizendo, para você ver o nível de desinteresse que ele demonstrava naquele momento.

Pedi para falar com o responsável pela repartição, que é um amigo de longa data, e só assim consegui ser atendido com alguma decência.

Depois disso eu fui embora com um sentimento de nostalgia.

"Nostalgiei" pois há aproximadamente seis anos atrás eu era estagiário naquela mesmíssima repartição e ocupava a função de atendimento ao público que o moleque monossilábico desempenhou tão porcamente.

Naquela época eu era estudante universitário e temia fortemente pelo meu futuro profissional, por motivos que não vem ao caso nesse post. 

Na condição de estagiário daquela repartição eu adotei uma estratégia bastante ousada e impopular no serviço público: atender bem ao público e realmente tentar resolver os problemas das pessoas com rapidez e eficiência.

Os funcionários da repartição me adoravam pois eu os livrava do trabalho de atendimento que eles tanto abominavam; os demais estagiários da minha época me achavam trouxa por eu trabalhar bem mais do que eu estava obrigado; e o público finalmente conheceu alguém "do outro lado do balcão" que estava verdadeiramente disposto a ajudar.

Agindo dessa forma eu aprendi muito, além de ter criado um bom relacionamento com o público - composto em sua maioria por empresários que desempenhavam a mesmíssima atividade que eu pretendia exercer quando me formasse.

Meu raciocínio era simples: pagando de garoto prodígio em vez de ser mais um estagiário carimbador de papel que ficava na fundo da repartição rezando para dar a hora de ir embora, eu chamaria a atenção dos empresários que iam constantemente na repartição e pelo menos um deles iria querer me contratar quanto eu saísse da universidade, de modo que eu não estaria fadado ao desemprego.

Depois de dois anos trabalhando ali eu concluí a graduação e espalhei aos quatro ventos que meus dias de estagiário estavam contados e que eu estava caminhando rumo ao desemprego.

Um empresário estrangeiro que na época era bem de vida e hoje está muito rico, com direito a negrito e sublinhado de tão rico que ele está, disse que estava só esperando eu formar para conversar comigo, e quis marcar uma entrevista na empresa dele.

Um outro cara que ia muito na repartição, presidente da Associação de Empresários de um município vizinho, disse que precisava de mim na associação e me fez uma oferta de emprego.

Outro chamou pra ser sócio na empresa que ele estava abrindo com mais duas pessoas, e essa era a proposta que apresentava mais perspectiva de enriquecimento na época, então aceitei. 

Terminar a graduação recebendo três propostas de trabalho não é algo comum, mas aconteceu comigo pois descobri precocemente a importância do networking.
Vocês que acompanham o blog sabem que não sou rico, tenho um patrimônio "série C", mas também não estou mal, pago as contas numa boa e em 2015 aportei em média R$ 3 mil/mês, algo muito positivo se considerarmos que a empresa é relativamente nova.

Acredito muito no potencial da empresa e creio que por meio dela poderei alcançar a IF, mas sei que isso passa necessariamente pela continuidade do networking e consequente aumento de nossa visibilidade. 

Fiquei pensando no estagiário cara de cu pois a oportunidade que eu tive ainda está ali, agora nas mãos dele, e ele simplesmente não enxerga isso. Azar o dele. O mercado, que na minha época de estudante não era fácil, hoje está pior do que nunca.

O bom relacionamento criado nos tempos de estágio ainda me permitiu conseguir um contrato de R$ 100 mil para a minha empresa num momento em que a gente estava precisando muito de caixa, e em outra ocasião recebi R$ 5 mil de comissão por ter aproximado dois empresários que não se conheciam (um queria vender empilhadeiras usadas e o outro queria comprar).

Sei que tem leitores do blog que ainda estão na faculdade, então gostaria de dar alguns conselhos:

- No ambiente universitário há a falsa sensação de que basta boas notas para se ter sucesso na vida.
- A verdade é que dificilmente alguém vai chegar em você do nada e falar "uau, belas notas! está contratado!"
- O networking é tão importante quanto o conhecimento técnico.
- Aliás, os nomes mais famosos da minha área de atuação estão ricos mais por conta do networking do que pela capacidade técnica propriamente dita (constantemente fuço o trabalho deles e é medíocre, não digo ruim, apenas medíocre).
- Comece a fazer sua rede de relacionamentos desde cedo. Encontre um estágio que possa te colocar em evidência perante várias pessoas. Se você conseguir um estágio tal qual o descrito neste post, atenda bem as pessoas, diga que vai resolver o problema delas, pegue o número delas para contato, telefone dizendo "problema resolvido!". Alguns não vão dar a mínima pro seu esforço, outros lembrarão de você com bons olhos.

Abraço!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015

Este post não estava dentro dos meus planos, mas o tédio dominical falou mais alto e resolvi relembrar os acontecimentos memoráveis do ano que está prestes a acabar.

Retrospectiva 2015 do blog do madruga
A presidente demonstrou toda a sua incompetência e inépcia, afundando com força o nosso Brasil varonil. Preparem seus respectivos cus, pois ela já prometeu afundar ainda mais o país caso sobreviva ao processo de impeachment iniciado pelo bandido que preside a Câmara dos Deputados.

Nada é tão ruim que não possa piorar
A Europa ocidental acelerou em 20 anos o seu processo de islamização. Entendo que se trata de uma questão humanitária, mas reflitam comigo: ao mesmo tempo que a população europeia nativa diminui por voluntariamente optarem por não ter filhos, eles acolhem milhões e milhões de pobres desesperados e desqualificados que não farão o menor esforço para assimilar a cultura europeia. Vai dar merda!

Parece cena de The Walking Dead, mas não, é só a Europa caminhando para sua própria destruição
O ano de 2015 também contou com o crescimento monstruoso do Estado Islâmico no Iraque e no Levante - um grupo terrorista bilionário e que ocupa um território maior que muitos países por aí.

Outros grupos que tiveram destaque em 2015 foram a al-Qaeda no Yemen, responsável pelo ataque ao Charlie Hebdo; e o Boko Haram, que mata bem mais gente que o Estado Islâmico, mas eles têm atuação restrita ao norte da Nigéria e o fato é que o Ocidente não se importa com a morte de africanos.

Estado Islâmico: fazendo o ocidente sentir saudade da época do Bin Laden
Sei que só citei desgraça até agora, então vamos falar de coisa boa: 2015 também foi ano de Justiça dos EUA, um país sem tradição futebolística, botando a FIFA de joelhos.

Abre o olho, Blatter
E foi ano de Justiça do Brasil, um país sem tradição em fazer justiça, botando empreiteiros, banqueiros e até um Senador no xilindró. 

André Esteves a caminho de sua nova residência: o Condomínio Residencial Bangu Eight
Ah, sim, no quesito coisa boa também tivemos a bunda da Paolla Oliveira: 

 
Ok, acabaram as coisas boas, vamos voltar a falar de desgraça. 

Também foi ano de crescimento vertiginoso do feminismo branco: meninas de classe média pagando de oprimidas na internet por meio de hashtags. 

Abaixo um vídeo que vem capitaneando o movimento das rycas oprimidas, uma música cantada pela Clarice, a "sobrevivente": branca, olhos claros, hipster, filha de diretor da globo, garota propaganda do Pão de Açúcar, enfim, uma verdadeira vítima do machismo opressor, não é verdade? 

 

E aí, o que acharam do ano? De minha parte, fiquei com a sensação de que o mundo andou mais para trás do que para frente.

Volto ainda este ano com outro post. Abraço!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Desempenho novembro/2015


É assim que me sinto ao completar quatro longos meses empacado na casa dos R$ 60k:


Essa "estagnação" ocorre em virtude de distribuições de lucros nada espetaculares no último trimestre, que por sua vez são consequência de clientes inadimplentes.

Por exemplo, tem um cliente em específico que não faz nada na vida a não ser gastar os milhões que herdou do pai, deita e rola em dinheiro mesmo na crise, e está 4 parcelas atrasado com minha empresa por pura desorganização/enrolação da parte dele.

A gente liga, cobra, o cara enrola, dá vontade de mandá-lo tomar no meio do cu, mas é preciso paciência, muita paciência, pois sabemos que um dia ele paga, e que não vale a pena romper relações com um cara cheio da bufunfa e que sempre foi fonte de renda para nós.

Enfim, apesar dos pesares, sigo acreditando no potencial da empresa e que a qualquer momento serei recompensado por isso, ou não.

Estou temporariamente sem computador em casa e não quero me prolongar escrevendo post aqui na empresa, então vou sair um pouco do padrão dos meus posts de desempenho mensal e encerrar o papo por aqui.

Voltarei em breve com um post de fim de ano mais elaborado.

Abraço!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O preço da sofisticação

Poderia usar centenas de exemplos diferentes, mas vou direto ao mais icônico deles: 

O vinho
Nunca tive muito gosto por vinho e nunca fiz questão de ter. Coloque uma taça de vinho de R$ 20 na minha frente e outra taça com um vinho de R$ 5 mil que eu vou provar os dois sem saber identificar qual é o barato e qual é o caro.

Algumas pessoas próximas a mim eram exatamente como eu no que tange ao vinho até o ano passado, mas resolveram se aprofundar na enologia (é o estudo do vinho) e foram se especializando cada vez mais no assunto.

Enquanto para mim vinho continuou tendo o mesmo gosto que sempre teve (vinho tem gosto de vinho, veja só você), para eles o vinho X passou a ser intragável "por ser emadeirado demais", o vinho Y passou a ser "enjoativo após a segunda taça, por ser frutado demais", o vinho Z passou a ser abaunilhado, defumado, rugoso, tanino, condimentado, amanteigado (?), amendoado, aveludado (!?), aviadado, cassis, carnoso etc e tem seu gosto acentuado se acompanhado de cordeiro assado em forno a lenha ao molho pesto.

Dá aquela analisada pra mostrar que você entende
Com esse refino todo, os vinhos de preços acessíveis que essas pessoas apreciavam foram saindo de cena, pois o aprofundamento no assunto fez com que elas fossem em busca de outros mais adequados aos seus paladares refinados, que não por coincidência são mais caros também. 

Hoje em dia essas pessoas raramente gastam menos de R$ 100 numa garrafa; ocasionalmente se decepcionam com alguma compra por não atender às expectativas; um deles criou um complexo de Edemar Cid Ferreira antes da falência e mantém em casa uma adega "com mais de R$ 5 mil em vinho" acoplada a um gerador de energia para caso ocorra queda de luz.

Sobre isso, eu tenho a dizer o seguinte:

Em um passado não muito distante, essas pessoas eram felizes tomando garrafa de Santa Helena comprada por R$ 28 no supermercado mais próximo.

Por opção própria, foram se tornando cada vez mais exigentes no que tange à bebida em questão, de modo que agora só alcançam a felicidade que sentiam antes se pagarem mais caro. 

Vocês acham que eles se tornaram mais felizes do que eram antes? Certamente no começo dessa "nova aventura gustativa" eles sentiram uma euforia maior, como se algo interessante estivesse sendo agregado à vida deles, mas, ultrapassada a fase da empolgação, só restou a eles as mesmas felicidades e infelicidades que existiam anteriormente, com a ressalva de que agora eles têm que pagar mais caro para se sentir bem, ao menos no que tange ao consumo de vinho.

Esse é um fenômeno que acontece não só com o vinho, mas também em variadas situações: as pessoas se sentem eufóricas com a possibilidade de "aumentar o padrão" de algum aspecto da vida deles, a empolgação com a novidade se esgota após certo tempo, o clima de normalidade volta a imperar, mas no fim o que sobra é a necessidade de bancar um padrão de vida mais caro, com a sensação de que diminuir esse padrão seria uma espécie de retrocesso.

Sofisticar cada vez mais
Como agravante, tem-se o fato de que a maioria das pessoas entram nessa dança bastante influenciadas por fatores exógenos: paga-se caro para atender as expectativas alheias.

Há um conceito dominante de gosto/estética que todo mundo tenta seguir - e isso é assunto para um post específico -, mas financeiramente falando é melhor que você não entre nesse jogo.

É possível que seu prato favorito de R$ 15 lhe traga mais prazer do que o prato favorito de R$ 300 do seu amigo punheteiro-gastronômico que se acha jurado do Masterchef. A mesma lógica se aplica ao vinho, ao tamanho da sua casa, ao que você consome ou deixar de consumir em geral.

Quanto mais simples forem seus hábitos de consumo, mais rápido você está propenso a deixar a corrida dos ratos. Ao se falar em "hábitos simples", automaticamente pensamos em algo pejorativo como pobreza, falta de instrução/estudo, no favelado ou no Raimundo do sertão, a demonstrar como o conceito dominante de gosto/estética está impregnado em nossas vidas.

Simplicidade nem de longe é sinônimo de pobreza e privação, embora exista toda uma ideologia feita para nos convencer do contrário, reproduzida por todos como se verdade fosse no interesse exclusivo dos que embolsam seu dinheiro na hora de lhe vender o "alto padrão".

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Que tal ser condenado a viver de renda?

Sonho com o dia em que poderei parar de trabalhar e fazer o que eu bem entender (dentro dos limites da minha renda, obviamente) com a tranquilidade de que a fonte que me sustenta não secará.

Esse é um objetivo que na blogosfera de finanças brasileira é chamado de independência financeira, enquanto a blogosfera gringa parece preferir o termo "early retirement", que aportuguesarei para "aposentadoria precoce".

Pode chamar de independência financeira, pode chamar de aposentadoria precoce, pode até chamar de pacto com o capiroto, a nomenclatura é irrelevante, o que realmente importa é que quero isso para a minha vida, e você provavelmente quer isso para a sua também.

O que farei no meu último dia de trabalho
Enquanto a aposentadoria precoce é o sonho nosso de cada dia, no Brasil existe um universo paralelo onde ela é uma punição. Isso mesmo: você é condenado a parar de trabalhar e viver de renda.

Esse universo paralelo já foi mencionado aqui no blog no mês passado, e acontecimentos recentes me motivaram a escrever agora um novo post sobre o assunto. 

Lembram dele?
O sujeito na foto acima era o juiz federal responsável por julgar se o Eike Batista cometeu ou não crimes contra o mercado financeiro.

A não ser que você viva numa caverna sem acesso à TV e internet, sabe muito bem que no começo do ano esse juiz foi tomado por um complexo de semi-deus e se apossou de um monte de bens do Eike, dentre eles um porsche e outros carrões, um piano, um relógio rolex e outro bulgari, dinheiro em espécie e sabe-se lá mais o quê (links da época aqui e aqui).

Como isso gerou um bafafá na época, o juiz foi temporariamente afastado de suas funções enquanto sua conduta era apurada pelos órgãos competentes.

Investigações posteriores descobriram uma situação ainda mais bizonha: o juiz havia desviado mais de um milhão de reais que estavam apreendidos pelo tribunal em virtude das investigações contra um traficante espanhol.

Ainda segundo as investigações, a "Excelência" simplesmente falsificou documentos para ludibriar a Caixa Econômica e o Banco Central, embolsou a bufunfa milionária apreendida no processo do traficante espanhol (usando boa parte para comprar um apartamento de luxo) e tentou apagar as provas do processo a fim de que ninguém percebesse o que havia se passado.

Depois de tamanha bandidagem (em parte já confessada pelo juiz), de se imaginar que haveria uma punição exemplar contra alguém que usou sua posição de juiz federal para cometer crimes, não é mesmo?

É aí que o pepino entra mais uma vez no cu da sociedade brasileira. Ontem o Tribunal ao qual o juiz está vinculado optou por aplicar a pena máxima cabível aos magistrados vitalícios (e aos membros do Ministério Público também): a aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

Que maravilha, não? O sujeito chuta o pau da barraca, comete uma sucessão de crimes e a "pena máxima" em seu desfavor consiste em ser aposentado e ir curtir a vida enquanto segue mensalmente recebendo renda paga pelo Estado.

Se essa é a "pena máxima", quais serão as penas mínimas? Receber um boquete?
Pesquisei mais um pouco sobre o assunto e vi que, se ele for condenado criminalmente, poderá perder esse benefício travestido de pena chamado de "aposentadoria compulsória".

A condenação criminal, no entanto, tem que ser definitiva, ou seja, só quando não for mais possível para a defesa interpor qualquer forma de recurso. 

Não sou nenhum especialista no assunto mas sei bem que, com a lerdeza natural do judiciário, acrescido de estratégias de defesas protelatórias, sucessivas arguições de nulidade e a interposição de 580 mil recursos, é possível tranquilamente protelar o fim de um processo desse gênero por uns 10, 15, 20 anos.

Enquanto isso, vá preparando o seu precioso dinheiro para pagar as contas de um bandido que foi "condenado" à aposentadoria precoce que tanto desejamos. 

Aquele abraço!

domingo, 1 de novembro de 2015

Desempenho outubro/2015



1. Alocação do patrimônio:

R$ 22.657,93 em CDB pré 15,4% venc 16/08/2016
R$ 12.824,76 em NTN-B-P IPCA+6,32% venc. 15/05/2019
R$ 7.223,36 em LFT venc. 01/03/2021
R$ 3.645,55 em LTN 13,42% venc. 01/01/2018
R$ 4.095,00 em KNRI11
R$ 3.802,05 em RNGO11
R$ 3.904,00 em AGCX11
R$ 3.646,10 em BBPO11
R$ 3.503,45 em caderneta de poupança
R$ 257,45 largados na conta da corretora
Total: R$ 65.559,65

76% do patrimônio alocado em renda fixa, 24% em renda variável

2. Novidade na carteira:

Nenhuma. O aporte do mês foi parar na poupança.

3. Rentabilidade dos FIIs:

KNRI11
Qtde: 35
Preço médio: 116,79
Fechamento: 117,00
Valorização atual: 0,18%
Total: R$4.095,00

AGCX11
Qtde: 4
Preço médio: 963,00
Fechamento: 976,00
Valorização atual: 1,35%
Total: 3.904,00

RGNO11
Qtde: 51
Preço médio: 78,30
Fechamento: 74,55
Valorização atual: -4,79% (porra RNGO)
Total: R$ 3.802,05

BBPO11
Qtde: 38
Preço médio: 97,10
Fechamento: 95,95
Valorização atual: -1,18%
Total: R$ 3.646,10

4 . Despesas extraordinárias

Nenhuma. Sequer amortizei o saldo devedor mencionado nesse post, que atualmente está em R$ 11 mil. 

5 . Empresa

Outubro foi um mês monótono, para não dizer que foi um mês inútil: não fechamos novos contratos com clientes antigos; não captamos clientes novos; não entrou muito dinheiro além do devido pelos clientes mensalistas; os trabalhos em andamento estão caminhando devagar pois o serviço público está em clima de fim de ano desde julho... enfim, foi aquele mês bem paradão mesmo, em que a empresa não encolheu mas também não cresceu.  

Trabalhei no interior do Estado por dois dias, numa cidade com 20 mil habitantes, e foi agradável olhar ao redor e ver montanhas em vez de favelas; andar por aí sem cruzar com um crackudo a cada 20 metros; não escutar aquele "pi-pi-pi-pi-pi" incessante que as garagens dos prédios fazem; sem gente jogada no chão dormindo em papelão; enfim, sem todo o fuzuê que faz parte da minha rotina. Se Quando eu alcançar minha independência financeira, não sei se vou querer continuar morando em cidade grande, acredito que cidade de 200-300 mil pessoas já me atende.

6. Vida pessoal

6.1 Doença

Fiz uns exames e descobri que tenho uma doença autoimune chamada tireoidite linfocítica crônica (ou tireoidite de hashimoto) em que meu organismo fabrica anticorpos que atacam as células da minha tireoide.

O ponto negativo é que essa doença não tem cura, e o ponto positivo é que não mata (e-eu acho...), os sintomas não são tão drásticos assim e podem ser amenizados com um comprimido diário de levotiroxina sódica.

Então é isso, a partir de outubro comecei a tomar uma medicação diária que vai me acompanhar pro resto da vida, para amenizar os efeitos de uma doença que incide oito vezes mais em mulheres do que em homens (era só o que me faltava).

Não haverá despesa relevante com medicação: o pacote com 30 comprimidos custa aproximadamente R$ 8.

 6.2 Marmita

Completei mais um mês levando marmita para o trabalho em vez de almoçar em restaurante. Antes gastava aproximadamente R$ 250/mês almoçando em restaurante nos dias úteis (R$ 11,36/refeição), neste mês gastei R$ 112 em ingredientes para fazer as marmitas que levei pro trabalho (R$ 5,09/refeição). É mais barato, mais saudável e provavelmente mais higiênico!

6.3 Livros

Atualmente lendo "A Loja de Tudo: Jeff Bezos e a era da Amazon", mas como ainda estou na metade deixarei os comentários para um próximo post.

6.4 Exercício físico

O que é isso?

7. Considerações finais

Gostaria de terminar 2015 com pelo menos R$ 70 mil.

Faltam 2 meses pro ano acabar e faltam R$ 4.440,35 para eu chegar nos R$ 70 mil.

Aparentemente tá tranquilo, mas eu não sei, fim de ano é um período historicamente fraco na empresa e nessa vida de microempresário tudo pode acontecer.

Bom novembro a todos!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O estranho conceito de zerar a vida

Mês passado um brasileiro de 18 anos que está fazendo intercâmbio na Austrália foi a primeira pessoa no mundo a comprar o recém-lançado Iphone 6S Plus.

Para conseguir esse feito, nosso jovem compatriota acampou durante cinco dias na frente da loja da Apple em Sidney. Assim que a loja abriu, ele entrou lá desesperadamente para pagar o equivalente a R$ 4,2 mil pelo novo telefone.

Durante seus quinze minutos segundos de fama, o sujeito declarou que por conta de tal proeza ele tinha "zerado a vida". Quem quiser saber mais sobre esse relevantíssimo acontecimento pode clicar aqui ou aqui.

O cara que "zerou a vida
"É só um menino de 18 anos queimando o dinheiro do pai", você pode estar pensando.

Concordo com esse pensamento, mas o fato é que esse fetiche que tanta gente tem pela Apple é um fenômeno mundial e que independe de idade.

Mas enfim, o post de hoje não será sobre o moleque da foto acima, nem sobre a Apple em específico, mas sim sobre a ideia de consumo como um todo, e sobre como grande parte das pessoas não se dá ao trabalho de refletir sobre questão tão importante.

Podemos começar nossa reflexão sobre o consumo? Podemos, mas não sem antes sentir mais uma dose de vergonha alheia proporcionada por outro Apple-maníaco:

AI MEU DEUS, COMO É BOM GASTAR DINHEIRO
Há uns 90 anos atrás, na aurora de nossa sociedade de consumo, as maiores fabricantes de lâmpadas do mundo (dentre elas General Electric e Philips) firmaram um contrato em que definiram que as lâmpadas não deveriam durar mais de 1.000 horas.

Considerando que naquela época já era perfeitamente possível fabricar lâmpadas que duravam mais de 2.500 horas, fica fácil deduzir que o acordo em questão tinha o intuito de fazer as pessoas comprarem mais lâmpadas.

Esse é tido como o primeiro caso documentalmente provado de obsolescência programada, em que o fabricante intencionalmente cria um produto programado para pifar ou se tornar menos funcional depois de determinado período de tempo.

Hoje em dia a obsolescência programada não é novidade para ninguém, estando mais presente do que nunca em itens tecnológicos (aquele seu notebook que começou a superaquecer, seu tablet cuja bateria foi pro brejo, seu celular que não suporta mais o sistema operacional do momento).

Embora a obsolescência programada ainda esteja presente nos dias de hoje, o fato é que de 90 anos pra cá surgiram estratégias mais sofisticadas para fazer o povo consumir como se não houvesse amanhã.

Descobriram, por exemplo, que era possível aplicar a psicanálise à publicidade, estimulando nas pessoas desejos e sentimento de recompensa, bem como plantando conceitos no inconsciente coletivo.

O pioneiro da psicanálise aplicada à publicidade foi um cara chamado Edward Bernays, sobrinho de Freud, que fez fortuna ao enfiar na mente dos homens de sua época que cigarro era símbolo de virilidade, ao mesmo tempo em que popularizava o fumo entre as mulheres como um sinônimo de independência feminina (dois conceitos completamente diferentes, mas isso pouco importa para quem estiver vendendo o produto).

Propaganda de 1949: pode fumar, amigão, seu dentista recomenda.
Mas vamos deixar o fumo de lado, pois a maioria das pessoas que está lendo este post não vivenciou os tempos áureos do cigarro (também não vivenciei), para tratar de um exemplo mais atual: carro.

Conseguiram, ao menos aqui no Brasil, convencer praticamente todo mundo que carro é sinônimo de sucesso, de poder econômico, que não dá pra viver sem carro, que quem não tem carro é pobre, que "brasileiro é apaixonado por carro", enfim, um monte de coisas que se tornaram dogmas incontestáveis no inconsciente coletivo nacional.

Eu sei bem que todo mundo tem 300 argumentos na ponta da língua para justificar a necessidade do carro, o que estou criticando acima é o pensamento "ou você tem carro ou você é um fudido", como se não existisse a opção de viver bem sem carro (existe essa opção, acredite se quiser).

Como carro é um tema que faria este post 10 quilômetros mais longo, vou passar para outros exemplos da atualidade: os dois mongóis nas fotos do início deste post, fazendo cara de "melhor dia da minha vida!!" pois compraram um celular que sairá de linha em seis meses, ou o cara que paga R$ 400 numa camisa da Dudalina "por causa do status, né brother?".

Se você torra seu suado dinheiro unicamente por causa do status ou por impulso, meus parabéns, você pensa da forma que querem que você pense e é a ovelha que querem que você seja, algo não muito diferente de quem passa na frente da vitrine da sapataria, não se contêm e sai de lá carregado de sacolas.

"Se entendermos o mecanismo e as motivações do pensamento coletivo, será possível controlar as massas de acordo com nossa vontade sem que elas saibam" - Edward Bernays (tradução livre)
Já entenderam o mecanismo em questão há muito tempo e a frase acima citada vem sendo posta em prática há várias décadas, de modo que hoje em dia nos identificamos com o conceito dominante de "necessidade" sem ao menos perceber. Que conceito dominante é esse? É a "criação organizada da insatisfação" descrita por Charles Kettering em 1929: é preciso plantar a insatisfação na mente das pessoas, pois se todos estivessem satisfeitos, ninguém compraria nada novo.

Sem percebermos, somos constantemente estimulados, voluntariamente por publicitários e involuntariamente pelas massas, a sentir insatisfação pelo que temos e querer trocar o antigo pelo novo. 

Você certamente faz um bem danado para a economia quando consome impensadamente, mas você também pode fazer um bem para economia (e para você mesmo) ao, em vez de consumir, aplicar seu dinheiro em renda fixa, FIIs, ações e dezenas de outras opções.

O fato é que, ao menos durante essa fase de acúmulo de capital em que o pessoal da blogosfera de finanças se encontra, quanto menos manipulável você for, maior sua chance de escapar da corrida dos ratos.

A questão é: o que fazer?

Usar o cérebro é uma opção

Como o problema não é o consumo em si, mas sim o consumo não precedido de reflexão, sugiro o seguinte: 

1ª dica: respeite o "gap" entre a vontade de comprar e a compra

A exemplo do sistema de "1 click to buy" iniciado pela Amazon e presente em grande parte dos sites, uma técnica de venda comum é diminuir o lapso temporal entre a vontade de comprar e a compra propriamente dita, por um motivo muito simples: quanto menos você pensar depois que bate aquela vontade de comprar, mais suscetível você está a acabar comprando. A primeira dica, portanto, é PENSE. Exclua o "gostei-comprei" da sua vida e tenha um momento de reflexão toda vez que você sentir vontade de comprar alguma coisa.

2ª dica: faça uma avaliação sincera sobre a necessidade da compra

"Eu vou usar esse troço regularmente?", "qual a chance dessa compra acabar abandonada num canto da casa?", "eu tenho uma necessidade genuína de comprar esse negócio ou é só para pagar de fodão perante terceiros?", "eu terei gastos adicionais com essa compra?", "eu sou tão impulsivo quanto um consumista dentro de uma loja de sapatos?", dentre outras perguntas.

3ª dica: troque o prazer em consumir pelo prazer em ver seu patrimônio crescer

Em vez de sentir prazer em ver seu dinheiro virando um monte de tralhas, que tal sentir prazer em ver o dinheiro virando mais dinheiro? Se a mágica dos juros compostos não te convence, eu sinceramente não sei  o que mais te convenceria.

Conclusão:

Sua busca pela independência financeira definitivamente será mais difícil se você não se desapegar do consumismo desenfreado praticado pelo brasileiro-médio. 

Esse desapego não é uma questão de sofrer por querer um Iphone 6S Plus e não tê-lo, mas sim desenvolver dentro de si mesmo um sentimento legítimo de que você não precisa de quinquilharias para se sentir bem.

Desenvolver esse sentimento te ajuda inclusive a alcançar a IF mais cedo, pois quanto mais lixo você quiser, mais capital terá que acumular para viver de renda passiva.

Desapega, meu amigo, e acumula capital enquanto seus pares estão lá tentando mostrar um pro outro como eles são a personificação do sucesso financeiro. 

Quando você parar de trabalhar para viver de renda passiva, a turma da ostentação vai perceber na hora que você zerou a vida e que está tarde demais para eles alcançarem o que você alcançou.

Cortei metade deste post fora para diminuir o tamanho (e mesmo assim ficou grande), então peço desculpas se algumas coisas que escrevi ficaram estranhas ou fora de contexto.

Aquele abraço!

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Salvadores da pátria também mamam

Enquanto os poderes Executivo e Legislativo se afundam em suas merecidíssimas más reputações, muita gente deposita as esperanças do futuro do Brasil no Poder Judiciário, que ocasionalmente é personificado em algum juiz salvador da pátria, título que durante um tempo pertenceu ao Joaquim Barbosa e agora pertence ao Sérgio Moro (queridinho da mídia e das redes sociais).

Você certamente já ouviu falar da expressão "come-quieto", comumente atribuída à pessoa que está em alguma situação de vantagem e mantêm discrição quanto a isso, tipo seu amigo que encoxou a gostosinha da sala e não comentou com ninguém.

Pois bem, na nossa República, o Poder Judiciário é o come-quieto dos três poderes: enquanto o Executivo e o Legislativo ficam se digladiando na lama, o Judiciário mantém distância, deita e rola em privilégios bizarros, capazes de dar inveja aos mais proeminentes saqueadores dos cofres públicos.

Vejamos, pois, a mamata característica do cargo de juiz:

1) Carga horária que em regra é de 30h semanais (sem ninguém controlando seu horário de entrada/saída).
2) Nenhum controle sério sobre a sua produtividade, nem mesmo por parte do CNJ.
3) Remuneração de R$ 15-20 mil líquidos.
4) Auxílio-alimentação superior a R$ 1,2 mil, mesmo só trabalhando meio período.
5) Auxílio-moradia de R$ 4,3 mil, para todo e qualquer juiz, mesmo os que moram na própria comarca em que atuam.
6) Dois meses de férias por ano, isso sem contar o recesso do Poder Judiciário, que costuma ser de 15 dias, ou seja, você não trabalha dois meses e meio por ano.
7) Se você é juiz vinculado ao Tribunal de Justiça do RJ, que é o mais criativo dos tribunais estaduais, terá auxílio-creche se seu filho estiver na creche, auxílio-educação se seu filho estiver estudando, auxílio-oxigênio se seu filho respirar, e por aí vai.
8) 13º salário em todos os Tribunais, 14º salário disfarçado de abono-férias em alguns tribunais.
9) Ops, foi pego fazendo coisa errada? Não se preocupe, o Corregedor-Geral de Justiça vai te dar um beijo molhado na testa e uma pena de "advertência" para ninguém dizer que seu "equívoco" passou impune. 
10) Associações e órgãos de classe poderosos garantindo esses e outros privilégios com a retórica de que se tratam de "prerrogativas adequadas à relevância da função". 

Uma parte relevante do orçamento do judiciário é usado para arcar com os mimos das Excelências. Para vocês terem uma noção, 30% do orçamento da Justiça estadual aqui onde moro são voltados exclusivamente para remunerar direta ou indiretamente os juízes. Dinheiro que poderia ser usado para oferecer um serviço público menos horroroso, mas é aplicado em coisas como o auxílio-moradia das Excelências que, tadinhas, precisam desses R$ 4,3k para terem moradia digna, pois seus subsídios de R$ 20 mil líquidos certamente não são o suficiente para isso.

Chamei o Judiciário de come-quieto pois, como vocês podem ver, ele promove uma verdadeira farra com o dinheiro público, uma farra que costuma ficar longe dos holofotes por ser travestida de legalidade, e também porque criticar juiz não é algo que convém aos meios de comunicação.

Para quem quiser ter uma dimensão maior de como o Judiciário limpa a bunda com o seu dinheiro tanto quanto fazem os demais poderes, recomendo fortemente essa matéria da Revista Época publicada há alguns meses atrás (rara ocasião em que um meio de comunicação compilou a mamata judiciária).

Desembargadores discutindo novos auxílios para a magistratura: auxílio-pinto pro juiz que tiver pinto, auxílio-pepeca para a juíza que tiver xavasca e auxílio-ração pedigree premium gourmet pro magistrado que tiver cachorro.
Só uma parêntese: grande parte das críticas aqui atribuídas ao Poder Judiciário também se aplicam ao Ministério Público, que goza de privilégios iguais ou semelhantes por uma questão de simetria constitucional,  e às vezes cometem os mesmos absurdos que deveriam combater, tipo a portaria da Procuradoria-Geral da República dizendo que procurador em voo internacional pode usar classe executiva.

Assim como várias pessoas que estão lendo esse texto, tenho muito ceticismo em relação ao futuro do Brasil. Meu ceticismo, no entanto, não é por conta da conduta dos eleitos, mas sim porque as instituições que têm a relevantíssima função de processar e julgar os eleitos também chutaram o pau da barraca e tem como prioridade maior enriquecer sua cúpula, e isso é o último grau de degeneração de um Estado que se diz democrático.

Certamente torço para que o juiz da lava-jato desempenhe suas funções com o máximo de eficiência e imparcialidade possível, pois quero ver todo mundo que efetivamente cometeu crime no xilindró, mas ao mesmo tempo não me esqueço que o juiz em questão, assim como a grande maioria dos magistrados, também não abre mão de sua parcela na festa do cachorro louco que promovem com o dinheiro de reles mortais como você e eu.
 
R$ 4,3 mil só de auxílio-moradia também é roubo de dinheiro público. Dois meses e meio de férias/recesso também é corrupção.
A salvação não virá do Sérgio Moro, a salvação não virá do Judiciário: como sempre foi desde que os portugueses botaram os pés aqui, nenhum dos poderes constituídos leva a sério a distinção entre público e privado, nem têm muita paciência para diferenciar o lícito do ilícito quando o assunto é dinheiro.

Como se isso já não fosse grave o suficiente, cresce nas universidades uma cultura que parece botar o concurso público no topo das aspirações profissionais dos jovens, e um exército de milhões de estudantes sonham com o dia em que também poderão gozar dos mesmos privilégios antirepublicanos, que numa hermenêutica de quinta categoria chamarão de "prerrogativas previstas em lei".

Abraço!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Desempenho setembro/2015

Olá jovens, tudo bem? Vamos ao que interessa:


No post anterior anunciei que terei que reduzir meus aportes mensais com o intuito de pagar uma despesa de R$ 15 mil relativa à integralização de capital da minha empresa. Isso comprometeu fortemente meu desempenho em setembro e continuará comprometendo nos próximos meses até eu finalmente quitar os R$ 15 mil em questão. Para mais detalhes sobre essa situação, leia o post anterior.

1. Alocação do patrimônio:

R$ 22.389,89 em CDB pré 15,4% venc 16/08/2016
R$ 12.481,08 em NTN-B-P IPCA+6,32% venc. 15/05/2019
R$ 7.147,66 em LFT venc. 01/03/2021
R$ 3.590,25 em LTN 13,42% venc. 01/01/2018
R$ 3.885,35 em KNRI11
R$ 3.733,20 em RNGO11
R$ 3.854,80 em AGCX11
R$ 3.679,54 em BBPO11
R$ 2.071,61 em caderneta de poupança
R$ 135,92 largados na conta da corretora
Total: R$ 62.969,30

Pessoal, pretendo aprimorar estes posts mensais mostrando a rentabilidade das minhas aplicações em renda variável, separando aporte de provento e tudo mais... só não fiz ainda por preguiça falta de tempo.

2. Novidade na carteira:

38x BBPO11 comprados a R$ 97,10/cota, totalizando R$ 3.689,80.

3. Rentabilidade dos FIIs:

KNRI11
Qtde: 35
Preço médio: 116,79
Fechamento: 111,01
Valorização atual: -4,95%
Total: R$ 3.885,35

AGCX11
Qtde: 4
Preço médio: 963,00
Fechamento: 963,70
Valorização atual: 0,07%
Total: 3.854,80

RGNO11
Qtde: 51
Preço médio: 78,30
Fechamento: 73,20
Valorização atual: -6,51%
Total: R$ 3.733,20

BBPO11
Qtde: 38
Preço médio: 97,10
Fechamento: 96.83
Valorização atual: -0.28%
Total: R$ 3.679,54

4 . Despesas extraordinárias (que fuderam o aporte)

- R$ 4.000,00 para amortizar o saldo-devedor de R$ 15.000,00 já mencionado neste post e no post anterior. Agora só falta pagar R$ 11 mil, rs.
- R$ 300,00 pois trouxe minha mãe para cá durante o mês de setembro e reservei esse dinheiro para levá-la para comer em lugares legais e outras firulas.
- R$ 189,00 para conserto no computador de casa (placa de vídeo queimou e tive que comprar outra).

5 . Empresa

Secretária nova dando conta do recado. Nada a reclamar em relação a ela até o presente momento, mas é muito cedo para tirar maiores conclusões.

No mais, eu realmente não faço a menor ideia de como serão as divisões de lucro de outubro até dezembro, pois os meses que estão por vir são historicamente fracos em termos de desempenho.

A empresa está saudável, com clientes fixos cobrindo as despesas mensais e dinheiro reservado capaz de mantê-la viva por um trimestre em um eventual cenário apocalíptico... a minha única incerteza é quanto à distribuição de lucros mesmo, que é o que garante a marmita do Madruga.

6. Vida pessoal

Nada muito relevante no campo pessoal, tirando a sensação de que a vida está passando na velocidade da luz enquanto o patrimônio cresce na velocidade de uma tartaruga embriagada.

Ah, sim, lembrei de um ponto positivo: completei um mês levando marmita pro trabalho e tive R$ 0 de gasto com restaurante, o que aumentou a qualidade da minha alimentação e diminuiu consideravelmente os custos.

Não pratiquei nenhuma atividade física, exceto a caminhada diária de ida e volta do trabalho, que é saudável mas nem de longe é um exercício físico relevante.

O único livro lido em setembro não tem nada a ver com investimentos: The Martian do autor Andy Weir. Conta a história de uma expedição em Marte em que acontece um acidente e um dos astronautas é deixado para trás pois é dado como morto, aí tem que se virar para sobreviver sozinho na casa do caralho e em um ambiente inóspito. Achei o livro bem divertido e recomendo! Às vezes o livro fica científico e detalhista demais pro meu gosto, mas isso em nenhum momento diminuiu a vontade de seguir lendo para saber como terminaria a história.

Um filme baseado no livro e dirigido pelo Riddley Scott acabou de ser lançado e está no cinema neste instante, mas acho que vou esperar sair um torrent decente para assistir. Quem quiser pode ver o trailer a seguir (OBS: não veja o trailer se pretende ler o livro):


7. Considerações finais

Comecei o ano com expectativas de terminar 2015 com R$ 100 mil, depois tive que abaixar minhas expectativas para R$ 80 mil, e agora pelo visto se eu conseguir chegar em 31 de dezembro com R$ 70 mil já será uma grande proeza.

Desejo um bom outubro para todos!


domingo, 27 de setembro de 2015

Fato relevante: redução nos aportes

Olá, pessoal, tudo bem? Por aqui tudo ruim, pois terei que reduzir os aportes para pagar uma despesa de R$ 15 mil.


Minha empresa tem 4 sócios (eu e mais três), cada um com 25% de participação. O capital social é de R$ 100 mil, logo cabia a cada sócio integralizar R$ 25 mil.

Há um tempo atrás eu integralizei R$ 10 mil, ou seja, de minha parte ficou faltando R$ 15 mil.

Bom, a novidade é que resolvi parar de empurrar com a barriga a hora de integralizar esses R$ 15 mil faltantes. Por conta disso, reduzirei o valor de meus aportes para amortizar mês a mês os quinze contos até zerá-lo.

Não faço a mínima ideia de quanto tempo terei que manter essa política de aportes reduzidos... é difícil fazer uma previsão pois não tenho remuneração fixa. Só espero que seja rápido!

Um esclarecimento: é claro que minha participação societária é um ativo, mas não contabilizo participação societária como ativo neste blog, e é por isso que estou tratando a situação acima narrada como se fosse uma despesa.

Sem mais para o momento, desejo a todos uma boa semana!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Tempos de crise e entrevistadores babacas

Tempos de crise

Além das atividades usuais, setembro tem sido repleto de análise de currículos e realização de entrevistas com candidatas à vaga de secretária que se encontra em aberto aqui na empresa.

Já recebemos quase quarenta e-mails de moças interessadas, e eu sinceramente não faço a mínima ideia de onde tanta gente está surgindo e como diabos ficaram sabendo da vaga de emprego em questão.

Além dos e-mails, algumas pessoas enfiaram seus currículos por baixo da porta de vidro da empresa, outras interfonaram e fizeram questão de entregar currículo em mãos, enfim, o pessoal está brotando de todas as formas possíveis para se candidatar à vaga.

Isso me surpreende um pouco, pois em ocasiões passadas já anunciei essa mesma vaga com muito mais intensidade (em grupo de empregos do Facebook com mais de 150 mil membros, por exemplo) e o feedback era bem menor. 

Outra coisa que foge à normalidade é a quantidade de gente que, em ligação telefônica ou no corpo do e-mail, vem manifestando um certo desespero, algo do tipo "me contrata, pelo amor de Deus!" (não necessariamente com essas palavras).
Enfim, são os efeitos da crise, pelo visto muita gente já está pagando a conta que nosso Estado obeso mórbido e ineficiente está tentando enfiar enfiando goela abaixo do povo.

Uma salva de palmas para o Partido "dos Trabalhadores"

Entrevistadores babacas

Mudando levemente de assunto, essa bateria de entrevistas com pessoas interessadas em trabalhar aqui me lembrou das vezes em que saí por aí à procura de estágio e/ou emprego, em que muitos entrevistadores pareciam ter sido tomados por um complexo de todo-poderoso pelo simples fato de estarem realizando a entrevista.

A boa notícia é: quando você tiver sua própria empresa e precisar entrevistar alguém, você não precisa reproduzir esse comportamento babaca!

Basta seguir as seguintes dicas:

1) Não custa nada ter respeito com todo mundo que se candidatar à vaga, independentemente do grau de instrução ou de experiência. Mais tarde você pode pagar de rambo-de-teclado e descer o cacete no seu blog tipo eu fiz ali em cima, mas no frente-a-frente você não precisa estragar o dia de uma pessoa que só quer trabalhar.

2) Meu amigo, se durante a entrevista você disser "entrarei em contato contigo, mesmo que seja pra avisar que contratamos outra pessoa", CUMPRA SUA PROMESSA.

3) Pare de bancar o psicoterapeuta que está analisando a fundo a alma do entrevistado e enfie perguntas do tipo "Qual é o seu maior defeito?" e "Se você fosse um animal, qual animal seria?" no meio do seu cu.

4) A pessoa está ansiosamente aguardando por uma resposta e você sabe disso, então se você já tiver uma decisão, dê a resposta o mais rápido possível. Em outras palavras: se na sexta-feira você já sabe que quer contratar o fulano, não espere até segunda-feira para dar a notícia. Para o bem ou para o mal, não deixe ninguém ansioso, nervoso, triste, eufórico ou desiludido desnecessariamente.

De uma maneira geral, não se ache o pica das galáxias só por você ter algo que a pessoa quer (vaga de emprego). Use a entrevista com o único objetivo de conhecer a pessoa em carne e osso, perguntar detalhes sobre o passado profissional dela, esclarecer dúvidas, e não para massagear o próprio ego como tanta gente faz, botar alguém pra baixo ou fazer perguntas impensadas, sádicas e de pouca ou nenhuma utilidade prática.

Em suma, é possível deixar de reproduzir o comportamento babaca que permeia boa parte das entrevistas de emprego, e isso não demanda muito esforço.  

Abraço e boa quarta-feira!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Privilegiados e seus discursos

Durante algum tempo hospedei gringos via Hospitality Club.

Hospedar esse monte de gringos só ampliou minha percepção de que em alguns países do mundo a vida é simplesmente muito fácil, ao ponto de você não precisar ir muito além da mediocridade para conseguir viver com conforto.

É por isso que muita gente de país desenvolvido se dá ao luxo de, após terminar um curso universitário, tirar uns meses sabáticos para viajar por aí. Eles sabem que a vida é tranquila e que mesmo depois de um ano coçando o saco no exterior, não terão dificuldade em arranjar emprego ao retornar aos seus respectivos países.

Também hospedei muito gringo que simplesmente largou o emprego para passar seis meses ajudando indígenas subnutridos no Peru, ensinando inglês em favela do Rio de Janeiro, se drogando na Tailândia e coisas do gênero. Ora, para eles não há o que se preocupar, depois de ajudar os oprimidos ou festejar à vontade sempre há a possibilidade de retornar para o país desenvolvido em que nasceram e viver com dignidade sem muito esforço.

Onde quero chegar com isso? À conclusão de que é muito fácil pagar de "o cara que largou tudo para fazer o que realmente gosta" quando você sabe que pode sempre voltar pro seu país de primeiro mundo onde a vida é fácil e qualquer retardado que por coincidência nasceu ali não precisará se preocupar muito com emprego, moradia, saúde, segurança etc.

A mesma lógica se aplica ao brasileiro que tem as extravagâncias bancadas por uma família abastada, a exemplo de uma menina que tenho no meu Facebook, cujo pai é sócio em uma construtora das grandes. Ela fez cinema na UFSC e hoje em dia não faz nada na vida além de ter um instagram sobre moda feminina com 1500 seguidores enquanto mora no Leblon, onde o aluguel de um imóvel custa mais caro que a venda das minhas córneas e rins no mercado negro.

Antes que esse post comece a parecer uma manifestação de repúdio contra pessoas privilegiadas, preciso esclarecer que esse não é o caso: não acho que uma pessoa deveria se envergonhar por nascer com algum privilégio, e queria eu ter nascido num país onde a vida é fácil, ou ao menos que minha família limpasse a bunda com nota de R$ 100. O problema é quando você nasce em berço de ouro e fica postando coisa do tipo "viaje. sem desculpas. apenas viaje.", como se "pagar as próprias contas", ter medo de perder o emprego e "formar um patrimônio pra não ser um fudido na vida" fossem desculpinhas fajutas para não realizar o iluminado ato de viver a vida.

O objetivo do post é alertar você que é tupiniquim e não nasceu em família rica: muito cuidado com papos do tipo "é só fazer o que você ama que vai dar tudo certo" e notícias do gênero "Casal dinamarquês larga emprego estável pra vender couve-flor orgânico em Teixeira de Freitas". Esse discurso nasceu em países onde as pessoas têm para onde correr caso tudo dê errado, e é propagado aqui no Brasil como se fosse igualmente aplicável. Abre o olho, meu amigo, tratam-se de realidades distintas, e falhar no Brasil tem consequências muito mais drásticas do que falhar na Escandinávia, por exemplo.

Não estou insinuando que você deve abandonar seus sonhos, apenas te alertando que você tem que ter um milhão de vezes mais cautela e preocupação com formação do patrimônio financeiro do que a turminha do "faça o que você ama que tudo vai dar certo" sugere, até porque seguir o discurso em questão nem de longe significa garantia de sucesso.

Abraço!