quinta-feira, 25 de maio de 2017

Independência financeira "extrema"

Fala, galera, como estão todos?

Sumi um pouco do blog pois vim visitar minha mãe aqui nos confins do Brasil e não trouxe meu Notebook.

Sem nada melhor pra fazer aqui na casa da minha querida mamãe, resolvi ler o livro do blogueiro gringo Early Retirement Extreme.

Fiquei tão impressionado com o livro que resolvi escrever o post de hoje pelo celular mesmo.

Vou chamar o blogueiro em questão de Jacob daqui pra frente, pois ficar repetindo "Early Retirement Extreme" ao longo do post vai me cansar os dedos.

Jacob mora nos EUA e alcançou a independência financeira aos 30 anos de idade, tendo parado de trabalhar para viver de renda aos 33.

Para alcançar essa meta, ele seguiu a fórmula que todos nós já conhecemos muito bem: criou uma renda passiva que supera com segurança suas despesas.

O que me impressionou no Jacob é que, para criar esse "gap" entre renda passiva e despesas, ele reduziu pra caralho as despesas, num nível que podemos chamar de extremo (talvez isso explique o nome do blog dele - Early Retirement Extreme).

Vejam só: Jacob mora dentro de um trailer de vinte e poucos metros quadrados, não tem carro, não tem televisão, fabrica os próprios itens de higiene pessoal e limpeza, tenta conservar as mesmas roupas por mais de uma década e planta muito do que come.

Ele defende no livro que é possível viver bem com 1/3 ou 1/4 do que uma pessoa de classe média gasta sem passar necessidades/viver na pobreza.

Considerando que um custo de vida baixo é aliado da aposentadoria precoce, pergunto: o que você está disposto a fazer para alcançar sua independência financeira mais rápido?

O estilo de vida do Jacob me parece bem extremo e até mesmo impraticável (quem arrisca morar num trailer aqui no Brasil?), então a conclusão que cheguei é que não conseguiria ser feliz ou me sentir seguro levando a vida que ele leva.

Por mais que eu não compreenda como é possível ser feliz da forma que ele vive, sei bem que é possível ser feliz com pouca coisa.

Não tenho carro, moro num apartamento pequeno e tenho uma despesa mensal bem baixa. Estou longe de ser extremo como o Jacob, e acho que nem desejo ser, mas sou extremo o suficiente aos olhos de muita gente.

Eu vivo feliz dessa forma, acreditem se quiser, mas é claro que recebo olhares tortos de gente que acredita que, para eu "ajeitar minha vida", deveria liquidar meus bens, comprar um HB20 e alugar um apê de 3 quartos.

É que, nessa faixa etária que me encontro (+- 30 anos), tá todo mundo deslumbrado com o próprio poder aquisitivo e seguindo fielmente o script da inflação do padrão de vida.

Então por mais que eu não me identifique com o extremismo do Jacob, consegui me identificar com ele até certo ponto, e o livro me instigou a me perguntar o que mais posso fazer para reduzir minhas despesas.

E vocês, colegas, costumam pensar sobre isso?

O que acham da ideia de viver uma vida simples, fora do padrão de ostentação que faz a alegria dos vendedores de carros, imóveis e roupas caras?
O que vocês estão dispostos a abrir mão para alcançar a IF mais rápido?

Estão satisfeitos com suas despesas mensais?

Viver uma vida simples seria um sacrifício para vocês?

Aquele abraço!


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Secretárias bizarras do Seu Madruga

Fala galera, tudo bem?

Pra quem ainda não sabe, tenho uma empresa cujo extenso quadro de empregados consiste em uma secretária.

Essa estrutura já foi maior em determinados momentos (já tivemos auxiliar administrativo, office boy, estagiário...), mas no fim das contas percebemos que uma secretária é o suficiente, o resto a gente se vira.

E porque uma secretária é tão imprescindível assim?

Para recepcionar clientes, atender telefone, preparar e servir café, manter o ambiente organizado, repor material de escritório, agendar reuniões, digitalizar ou fotocopiar documentos, enfim, esse tipo de coisa, tudo muito simples de se fazer.

Apesar de ser um trabalho tranquilo de se realizar e de pagarmos ligeiramente acima do valor de mercado, ao longo dos anos comemos o pão que o capiroto amassou para encontrar uma secretária decente

E o post de hoje é justamente sobre isso: as secretárias bizarras que passaram pela empresa do Seu Madruga.


Vamos a elas:

1) Gabriela, a estudante

Gabriela era uma simpática menina do interior que veio tentar a sorte na cidade grande.

Depois de alguns meses trabalhando como secretária na minha empresa, ela nos contou que iria começar a fazer um curso de graduação à noite, pois foi aprovada no vestibular do curso de administração em alguma uniesquina obscura, mas que isso em nada ia atrapalhar o trabalho dela na empresa.

Parabéns pela conquista, Gabriela
Meu sócio mais velho ficou bem comovido com esse esforço da menina em trabalhar e se qualificar para melhorar de vida, e propôs que nossa empresa desse uma ajuda de custo de R$ 500,00/mês para ela, contanto que ela conseguisse conciliar trabalho e faculdade e tirasse notas boas.

Nenhum dos sócios (eu, inclusive) concordou com essa ideia, então meu sócio mais velho decidiu que daria essa ajuda de custo por conta própria e com dinheiro vindo do bolso dele. Ele realmente estava determinado a ajudar a secretária, pois ele veio do mesmíssimo cafofo no interior que ela e queria ajudar a conterrânea.

Depois de um semestre pagando a tal ajuda de custo, meu sócio mais velho cobrou da secretária o desempenho dela no primeiro período de faculdade, para saber se ela estava cumprindo o compromisso de tirar boas notas.

Após perceber um comportamento furtivo da Gabriela em falar sobre esse assunto, meu sócio mais velho ficou desconfiado e foi à uniesquina para averiguar se ela realmente estava fazendo o tal curso de graduação em administração.

Como vocês já devem imaginar, a menina não estava cursando porcaria nenhuma. Ela até chegou a se matricular, mas depois disso não deu continuidade, nunca tendo pisado na sala de aula ou pago mensalidade.

A ajuda de custo paga por fora pelo meu sócio não estava sendo revertida em estudos, mas sim em baladinhas sertanejas nos fins de semana.

Como reagi quando soube
E o pior de tudo é que, todo dia às 18 horas, Gabriela ia embora e a gente se despedia desejando uma boa aula, acreditando que ela estava indo estudar após um longo dia de trabalho.

Depois de um vacilo desses não foi possível mantê-la em nossa empresa, então demitimos ela sem justa causa.

2) Brenda, a secretária relâmpago

Depois de demitir Gabriela, fizemos um contrato de experiência com Brenda.

Brenda começou a trabalhar numa segunda-feira e, na quarta-feira da mesma semana, apareceu na empresa com o dedo indicador de uma das mãos fraturado e um atestado médico afastando-a do trabalho por um mês. UM MÊS.
 
Pode isso, Arnaldo? Eu não faltei ao trabalho nem quando estava com um braço inteiro imobilizado, e a menina quer ficar fora um mês por causa de um dedo?
Não lembro bem os pormenores dessa situação, só sei que mandamos ela catar coquinhos cuidar do dedo fraturado bem longe de nossas vidas e nunca mais a vimos.

3) Scheila e o marido invasor

Não vou entrar em detalhes sobre Scheila pois já escrevi um post contando tudo o que aconteceu. Mas resumindo: num domingo aleatório fui na minha empresa e flagrei o marido dela furtando nosso material de escritório.

4) Ivone, a mamãe

Ivone tinha uns 25 anos de idade, era casada e tinha um filho bebê.

Ela disse na entrevista de emprego que o filho bebê não seria um problema para a empresa, pois a avó da criança morava ao lado e adorava cuidar dela.

Votei contra a contratação de Ivone por conta do filho bebê, mas meus sócios decidiram contratá-la, acreditando que a vovó-babá cuidaria da criança e que Ivone se sentiria compelida a trabalhar direito, afinal tinha um filho para sustentar.


Ivone fez tudo dentro do esperado durante o contrato de experiência, então efetivamos a contratação.

Foi só contratar de forma definitiva que veio a primeira falta por motivo de "filho passou mal e tive que levar no hospital". 

Depois disso, faltas por motivos de "filho doente" começaram a se tornar recorrentes, primeiro uma vez a cada duas semanas, depois semanalmente, depois vários dias seguidos numa mesma semana. 

Eu avisei que ia dar merda, não avisei?
Já estávamos decididos a demiti-la quando, mais uma vez, Ivone faltou ao trabalho sob o pretexto de que o filho estava passando muito mal e ela teria que ficar em casa cuidando dele.

Quando a secretária falta, sou eu quem puxa e atende todos os telefonemas. Foi aí que recebi a seguinte ligação:

Pessoa desconhecida: Alô, bom dia. Aí é da empresa X?
Madruga:  Sim. 
Pessoa desconhecida: Poderia me informar se a Ivone trabalha aí?
Madruga: Quem está falando?
Pessoa desconhecida: Aqui é da loja Y. A Ivone está aqui fazendo um crediário, e preciso confirmar se ela realmente trabalha aí, pra completar o cadastro dela. 
Madruga: A Ivone tá aí?
Pessoa desconhecida: Sim.
Madruga: Fazendo compras?
Pessoa desconhecida: Sim. 
Madruga: Ela não trabalha aqui não.

Vejam só que safada, faltando sob o pretexto de que o filho estava doente, mas lá estava ela comprando tralhas em 48x no crediário. 

Mais uma.
Depois de vários perrengues, felizmente conseguimos encontrar uma excelente secretária. Ela é muito profissional, comprometida com o trabalho e veste a camisa da empresa. Ela é provavelmente bem mais dedicada à empresa do que eu seria se estivesse no lugar dela.

Mas enfim, o post de hoje foi totalmente despretensioso, só para compartilhar essa pequena experiência de empreendedorismo da vida real, a se contrapor um pouco ao empreendedorismo que vendem na televisão onde tudo funciona bem e dá maravilhosamente certo.

Aquele abraço!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

5 dicas para viver sem carro

Carro é um tema recorrente na blogosfera financeira, e assim não poderia deixar de ser, já que qualquer pessoa minimamente preocupada com finanças não pode ignorar o fato de que manter um passivo ambulante de uma tonelada envolve uma série de despesas ordinárias e extraordinárias de considerável impacto no orçamento. 

Não são poucos os posts na blogosfera sobre o custo mensal de se manter um carro
O post de hoje será diferente dos que existem por aí pois eu sou um especialista em não ter carro. 

Com quase 30 anos de idade, não tenho nem nunca tive carro, muito menos dirigi veículos de outras pessoas.

Sempre priorizei a boa e velha caminhada como principal meio de locomoção. Quando o calor infernal, o horário ou a distância me impedem de caminhar, recorro ao transporte público ou Uber. 

Seu Madruga caminhando rumo ao trabalho
Graças a essa predisposição em fazer tudo andando, transporte não é uma despesa relevante no meu orçamento. Confiram minha despesa mensal com locomoção nos últimos oito meses, desde que eu comecei a registrar cada centavo gasto com transporte:

OBS: abril ainda não acabou, mas incluí de qualquer forma.
Como vocês podem ver, gasto em média R$ 124,00/mês com locomoção, e, mesmo não tendo carro, nunca atraso em compromissos e sempre chego onde quero chegar.

Se você pretende um dia abrir mão do seu carro, siga as dicas a seguir, que certamente facilitarão e muito a sua vida.

1) More perto do trabalho

Já que trabalho envolve deslocamento diário e ocupa parte relevante do tempo de qualquer pessoa, é um tanto quanto óbvio que morar perto dele diminui drasticamente os seus custos com transporte e a sua necessidade de ter um carro.

Por muitos anos morei de aluguel em um apartamento que ficava a exato 1 Km de distância da minha empresa. No ano passado, comprei um apartamento que está ainda mais próximo: 800 m.

Devo dizer que é uma enorme satisfação fazer o percurso casa x trabalho em uma simples e rápida caminhada. Isso pra mim era apenas uma questão de economia, mas com o tempo foi se tornando sinônimo de qualidade de vida.

Boto o fone, o óculos de sol e vou andando pensando na vida
Claro que, para morar perto do trabalho, é preciso que o seu trabalho não esteja situado num lugar merda, senão para morar perto dele você teria que viver em uma vizinhança merda, aí a qualidade de vida que eu mencionei deixa de existir.

2) More perto de supermercado 

Para uma vida sem carro ser mais tranquila, é importante também que você viva perto de um supermercado.

O motivo é evidente: você não precisará se deslocar grande distância para ter acesso a produtos que suprem suas necessidades básicas (alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza da casa).

No meu específico caso, estou a 600m de distância de um supermercado.

Vou ser bem sincero com vocês, esse supermercado perto da minha casa é uma espelunca. O atendimento é horroroso, o chão vive sujo e a sessão de congelados fede tanto que tenho certeza que tem um cadáver em decomposição atrás dos freezers. Mas para as necessidades básicas ele atende bem.

Quanto mais perto, melhor. 

3) Bônus: farmácia, academia, ponto de ônibus

Eu diria também que seria excelente, mas não necessariamente imprescindível, se você morasse perto de uma farmácia, de academia e de ponto de ônibus/estação de metrô.

No meu específico caso, estou a 120m de uma farmácia, 450m da academia e tão perto de um ponto de ônibus que nem me preocupei em medir a distância.


4) Deixe de frescura

Toda vez que o homem médio é elevado a um novo nível de conforto, cria resistência à possibilidade de retornar à situação anterior em que o "novo conforto" não existia. Com o carro isso parece ocorrer com ainda mais intensidade.

Abrir mão do carro significa ter que lidar com caminhadas, ônibus, metrô e Uber. Enquanto muita gente fica aterrorizada só de pensar em viver dessa forma, eu particularmente não vejo problema algum nisso, pois economizo dinheiro e sempre chego pontualmente onde quero chegar (pontualidade é uma questão de organização, independentemente de você ter ou não carro). 

Deixar de frescura significa deixar de achar que só o carro particular é sinônimo de transporte com dignidade, enquanto todas as demais opções existentes por aí são inviáveis porque "transporte público é precário", "fazer as coisas andando é perigoso", e todo aquele discurso que o brasileiro tem na ponta da língua e que faz a alegria dos donos de montadoras de carros.

A boa notícia é que, se você não mora num gueto ou na puta que pariu, é bem possível que você esteja mais bem servido pelo transporte público do que imagina. Devo ser um cara de muita sorte, pois 90% das vezes que entro num ônibus ele está assim: nem cheio, nem vazio.

5) Aprenda a lidar com o "bullying"

A quinta e última dica é bem importante, especialmente se você é homem e vive num ambiente de classe média ou alta.

Depois que você alcança certa idade, as pessoas simplesmente partem do pressuposto que você tem um carro, e ficam bastante confusas quando descobrem que você não tem.

Minha reação quando um conhecido ou conhecida descobre que não tenho carro e começa a fazer perguntas sobre isso
O bullying vai além: carro é um símbolo de status é muitas pessoas presumem que estou fudido financeiramente por não ter um, ou pelo menos acreditam que os anos passam e eu não evoluo na vida.

Há, ainda, as pessoas que presumem que, por eu não ter um carro, sou uma espécie de hipster ou militante da mobilidade urbana que venera o Fernando Haddad. Não sou nada disso, apenas não tenho carro.

Se além de homem você é solteiro, e eu digo isso com conhecimento de causa pois fui solteiro sem carro por muitos anos, posso te garantir que a falta de carro vai dar uma bela atrapalhada nas suas saídas. Os mais atiçados vão dizer que isso é futilidade feminina, mas eu acho que não. O preconceito contra os descarreados independe de gênero, e ao não ter carro você sai perdendo em relação a quem tem.

Enfim, ao não ter carro em um ambiente de classe média você lida com algum grau de encheção de saco, pressãozinha, olhares tortos e sabe-se lá mais o quê.

É preciso, pois, aprender a lidar com isso sem stress, o que às vezes exige bastante auto-controle para acabar não mandando alguém tomar no meio do cu naquele lugar.

Uma breve conclusão:

Amigo leitor, se você quer ter carro tudo bem, se você não quer ter carro também. A intenção do post é tão somente mostrar que é possível viver sem, mas no fim das contas você deve fazer o que bem entender.

E já que o assunto do post é vida sem carro, não posso deixar de render minhas homenagens a todos os motoristas de Uber, que me carregam por aí madrugada adentro por um preço estupidamente baixo.

Obrigado, amigo motorista.
Aquele abraço!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Crônicas da Matrix Finaneira: o Polegar descontrolado

No longínquo ano de 1989, começou a fazer sucesso no Brasil uma boy band adolescente chamada Polegar, composta por esses rapazes na imagem abaixo:

Veja só que merda.
Eu era só um bebê e não tenho lembrança alguma dos acontecimentos, mas o fato é que a boy band em questão fez sucesso por alguns anos, até que todo mundo cansou de olhar pra cara de bosta deles e o grupo caiu no esquecimento.

Fiz uma extensa pesquisa de quarenta segundos lendo a Wikipedia e vi que alguns integrantes da banda se deram bem na vida e outros nem tanto.

Não sei quem é quem na foto acima, mas o fato é que um deles virou médico, outro virou delegado de polícia e um outro virou músico profissional. Na lista dos que se deram mal, um deles virou viciado em crack e o outro... bom, o outro virou O POLEGAR DESCONTROLADO, assunto do post de hoje.

Aí está ele: o Polegar descontrolado
Depois de décadas escondido nas profundezas do anonimato, o Polegar descontrolado reapareceu no noticiário nacional em abril de 2014, quando declarou ao jornal "O Dia" que não tinha dinheiro nem para comer.

Vale transcrever uma pequena parte da entrevista, que já nos dá uma ideia da situação deplorável em que o sujeito se encontrava naquela época:
Como está sua situação atual?
Eu me encontro numa situação de desespero. Estou longe da minha cidade, não tenho os meus pais vivos, estou afundado em dívidas e sem saber a quem recorrer. Devo R$ 45 mil de empréstimo ao banco, estou R$ 12 mil negativo, tenho duas pensões alimentícias em aberto desde dezembro, tenho as prestações do meu carro atrasadas que já somam R$ 50 mil, além do aluguel do meu restaurante em Mogi das Cruzes, que está atrasado há quatro meses.

Você tem quantos filhos? 
Tenho três. Priscila, de 23 anos, que é fruto de uma única noite e, até hoje, não tenho certeza se é realmente minha filha; Larissa, de 16 anos, e João Pedro, de 5, que foi um ‘acidente’.
Apesar da situação dramática, o Polegar descontrolado dirigia por aí um SUV (aquele Santa Fe, da Hyundai) e morava sozinho em uma casa de 3 quartos, piscina e o caralho a quatro em Taubaté.

Mas o fato é que, sabe-se lá como, fãs e amigos do Polegar descontrolado se comoveram com o drama, e por isso ele recebeu algumas doações para tentar colocar a vida nos eixos.
Depois de passar 2015 e a maior parte de 2016 fora dos noticiários, eis que o Polegar descontrolado ressurgiu novamente na imprensa nacional, no fim do ano passado, dessa vez porque quase morreu ao ser espancado pelo próprio cunhado. 

Isso deve ter doído
E agora, em abril de 2017, já recuperado da surra, nosso amigo surge novamente nos meios de comunicação, dessa vez dizendo dever mais de R$ 400 mil a bancos, aluguel, pensão alimentícia etc, até pro padeiro o cara deve dinheiro.

Mais uma vez ele pede ajuda a quem quer que queira ajudá-lo e considera suicídio como uma opção caso não consiga reverter sua situação. 

Não sei que fim esse cara vai levar, mas você há de convir comigo que o futuro dele não parece muito promissor, já que a dívida só aumenta e o mimimi comove cada vez menos gente.


Resolvi tirar alguns minutos do dia para escrever sobre o Polegar descontrolado pois ele é um belo exemplo a não ser seguido por nós, futuros milionários.

Ele é um escravo da inflação do padrão de vida, um procriador irresponsável, um vitimista convicto e um completo inepto no trato com o dinheiro.

Ele é, acima de tudo, o rei das escolhas erradas, e a prova viva do que imaturidade emocional e financeira podem causar na vida de uma pessoa.

Aquele abraço!

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Mudança no blog

Olá, pessoal!

Depois de bastante reflexão sobre o assunto, tomei uma decisão: não vou mais fazer os posts de desempenho mensal.

Cheguei a essa conclusão por dois motivos, que listo a seguir:

1) Acho um saco escrevê-los

Via de regra eu não tenho nada de muito empolgante para compartilhar com vocês todo santo mês a título de evolução patrimonial, então venho sentindo que a tarefa de escrever posts dessa natureza se tornou bastante enfadonha.

Esse é o meu nível de empolgação todo começo de mês, quando lembro que tenho que escrever o post de desempenho mensal
Talvez como consequência disso, veio crescendo dentro de mim o sentimento de que escrever posts de desempenho mensal se tornou uma obrigação.

Ora, este blog é um hobby, então preciso afastar qualquer sentimento de obrigação, do contrário um dia me sentirei compelido a abandonar por completo o navio em troca de um hobby mais prazeroso.

2) Análise mensal é incompatível com minha vida

Ao contrário da maioria absoluta das pessoas na blogosfera, sou profissional liberal e não tenho uma receita mensal fixa.

Por conta disso, quem reler meus posts de desempenho verá que meus aportes são completamente aleatórios: teve mês que aportei R$ 0, outro mês R$ 500, outro mês R$ 8 mil. 

Dentro desse contexto, a real é que não faz sentido algum eu ficar fazendo autocríticas mensais sobre minha vida financeira. 

Prova prática disso foi o que aconteceu em 2016: nos últimos 3 meses do ano, aportei mais do que o dobro do que foi aportado nos primeiros 9 meses. 

Isso pra mim foi uma demonstração muito clara de que preciso deixar a lógica do mês a mês de lado e adotar uma linha de pensamento mais adequada à minha realidade, como por exemplo uma análise semestral ou anual.

Continuarei mantendo um controle pessoal rígido das minhas finanças, mas aqui no blog dou por encerrado os posts de desempenho mensais.

Cogito fazer posts de desempenho semestrais ou anuais (ainda não decidi).

Considerações finais: 

Quero agradecer e render minhas homenagens ao nobre Mestre dos Centavos, que me deu espaço no ranking que por ele vem sendo conduzido com excelência, ao mesmo tempo em que peço que ceda o meu lugar no ranking para algum dos suplentes que aguardam ansiosamente por uma vaga. 

Obrigado!
Quero também assegurar aos demais leitores de que tentarei manter a regularidade de 3 a 4 posts por mês aqui no blog, como já vem sendo feito desde o princípio. 

Aquele abraço!

sexta-feira, 17 de março de 2017

Dois anos de blog

Fala, galera!

Estou postando hoje só para não deixar passar em branco o aniversário do blog.

Festejando na laje os 2 anos do blog
Assim como muitos de vocês, criei o blog com o objetivo de deixar registrado a minha jornada rumo à independência financeira.
  
Se você ler os 80 posts que escrevi nesses últimos dois anos, verá que iniciei o blog com R$ 30 mil, ultrapassei os R$ 100 mil, comprei um apartamento à vista no fim do ano passado e agora cá estou eu, me aproximando novamente dos R$ 30k. 

Você pode até não concordar com minhas escolhas, como muita gente não concordou quando comprei o apê, mas não pode negar que estou construindo algo duradouro, enquanto a grande maioria das pessoas que conheço queima fortunas achando que evoluir significa inflacionar o padrão de vida.


Não tenho o mesmo entusiasmo de antigamente para seguir postando, nem acho que preciso do blog para me manter firme nos meus objetivos, mas sigo escrevendo por ser um hobby, e também porque o feedback dos leitores geralmente é positivo.

Então se você aprecia este recinto, deixa aí embaixo uma mensagem, mesmo que você seja Anônimo, e mesmo que seja um simples "feliz aniversário".

Aquele abraço!

sábado, 11 de março de 2017

Seu Madruga: uma autobiografia

Olá, confrades, tudo bem?

Hoje falarei um pouco sobre mim, para que vocês conheçam melhor quem é o Seu Madruga, onde ele vive, do que se alimenta e outras coisas mais.

1) Infância

Conforme já tive a oportunidade de mencionar nos posts sobre a Vovó Safada, meu pai veio de uma família bem miserável.

Felizmente para mim, ele já tinha virado o jogo e conquistado uma condição financeira boa quando resolveu me botar no mundo.

Graças a isso, tive uma infância e adolescência bem confortável: estudei em escola particular, tive mega-drive, super nintendo, playstation, bicicleta, matrícula em natação, basquete, futsal, curso de inglês, escotismo, fins de semanas em Búzios, viagens nas férias e por aí vai. 

Como me sinto quando lembro da minha infância
Essa parte boa da vida, repleta de diversão e praticamente nenhuma responsabilidade, foi passando enquanto o Madruga adentrava na adolescência.

 2.1) Adolescência - parte mágica

Quando entrei no ensino médio, parei de estudar em escola particular e entrei em escola federal.

Tive uma vida social bem agitada e conhecia uma quantidade enorme de pessoas.

Eu era bem extrovertido e transitava livremente entre surfistas, RPGistas, góticos, funkeiros, drogadinhos, emos, playboys, metaleiros e todo tipo de grupo que existia na cidade.

Naquela época as pessoas estavam começando a usar a internet para socializar e o principal ponto de encontro virtual dos adolescentes era o canal da cidade no saudoso IRC, que chegava a ter 700 pessoas online em horário de pico.

Para quem não sabe, isso é um canal de IRC.
Eu era o fundador e principal moderador (OP) do canal em questão e, por mais que isso possa soar absolutamente ridículo hoje em dia, naquela época isso me garantiu um prestígio social monstruoso entre os jovens: muitas pessoas sabiam quem eu era sem eu sequer saber que elas existiam, desconhecidos(as) me abordavam querendo puxar papo e forçar amizade.

Nada na cidade concentrava tantos jovens num só lugar quanto o canal que eu criei, e eu sabia que poderia tirar proveito financeiro disso.

Profissionalizei a gestão do canal quando conheci um cara chamado Boi_Reprodutor. Ele era um nerdão sem vida que passava o dia e a madrugada online, além de ser um expert em IRC.

Transformei o Boi_Reprodutor em operador do canal e ele passava o dia moderando, banindo imbecis, enfim, colocando lei e ordem no chat.

Comecei a ganhar dinheiro quando Boi_Reprodutor botou um BOT no canal que fazia propagandas. Uma escola, uma pastelaria e uma sorveteria me pagavam cerca de R$ 200,00/mês cada um para que o BOT ficasse postando anúncios no canal, e eu dava 1/3 desse valor para o Boi, que era quem cuidava de tudo.

Adolescência entre os descolados
Outra coisa que eu fazia para ganhar dinheiro e que aumentou bastante meu prestígio social foi organizar shows de rock na cidade.

Com 16/17 anos, eu alugava o espaço num clube decrépito, chamava bandas da cidade e de fora que topavam tocar só pela diversão (sem cachê), colava posters em pontos de ônibus, distribuía flyers e botava o BOT do IRC para anunciar o show no canal.

Hoje percebo que isso era coisa de doido pois tudo era feito da forma mais irregular possível, mas na época eu não me importava e ganhava uns R$ 400,00 por show. Era pouco pois eu vendia ingressos baratos: me preocupava mais em garantir o sucesso do evento do que ganhar dinheiro.

Lucrando com a diversão alheia

Naquela época todo mundo era menor de idade então ninguém tinha carro ou muitas riquezas para ostentar. O que te transformava em uma pessoa atraente mesmo era popularidade, e isso eu tinha de sobra.

Por conta disso, e também por não ser um cara feio, eu atraía bastante mulheres. Depois de um tempo deitando e rolando nas menininhas, uma em específico roubou o coração do jovem Seu Madruga: Hajna, uma húngara de 15 anos que estava fazendo intercâmbio de 1 ano no Brasil.

Cabelos castanhos claros e sedosos, olhos verdes, rosto perfeitamente simétrico, pele tipo comercial de Monange, um corpo na medida certa, origem exótica, idioma estranho com 44 letras no alfabeto, enfim, era uma pessoa muito interessante e que chamava a atenção por onde passava.

Complicado

Era uma vida excelente e toda vez que penso no passado sinto uma enorme nostalgia. Eu sentia que nada para mim era impossível e que eu me tornaria um adulto bem sucedido, pois por algum motivo tudo conspirava ao meu favor.

Como eu imaginava que meu futuro seria
2.2) Adolescência - parte bosta

Era 2004 e de repente ninguém mais se importava com IRC.

Os jovens estavam deslumbrados com o recém-lançado Orkut e para chat intensificaram o uso do MSN, e por conta disso o canal que eu fundei esvaziou.

Com isso, eu não conseguia mais ganhar dinheiro com anúncios, nem popularidade por ser o dono do canal da cidade.

A queda da popularidade do canal foi enorme e o quadro parecia irreversível. Dei o canal para Boi_Reprodutor e parei de frequentar o recinto.

Eu também não tinha mais tempo para organizar os shows pois estava estudando para o vestibular, então outros moleques "roubaram" o meu protagonismo.

Para fuder o cu do palhaço de uma vez por todas, os "pais brasileiros" da Hajna descobriram o namoro comigo, comunicaram à empresa de intercâmbio, que por sua vez comunicou aos pais húngaros, que não gostaram nada da novidade e mandaram ela fazer as malas e voltar pro país dela imediatamente. 

Seu Madruga assistindo o fim de seu império adolescente
Isso tudo me incomodou e atrapalhou meus estudos.

Para agravar a situação, os meus pais resolveram divorciar justamente no meu ano de vestibular, o que atrapalhou mais ainda. 

A consequência disso é que não passei em nenhum vestibular de universidade pública no meu estado.

Eu já estava devidamente matriculado num cursinho pré-vestibular quando surgiu uma luz no fim do túnel: fui aprovado como suplente no vestibular de uma universidade federal de um outro estado.

3.1) Vida adulta - parte escrota

Meu pai havia perdido metade do patrimônio dele durante o divórcio, então não estava nem um pouco disposto a bancar a minha vida universitária em outro estado.

Contra a vontade dele, eu peguei os R$ 3 mil que juntei no auge do meu empreendedorismo-mirim e fui embora para a cidade grande, onde ficava a universidade.

Seu Madruga rumo ao desconhecido
Apesar dos baques sofridos, eu estava otimista, pois ainda era relativamente popular na cidade onde eu vivia e dessa vez estava indo rumo à cidade grande, onde eu pretendia reproduzir todo o meu sucesso que tive durante a adolescência.

Faria mil amigos, arranjaria um emprego legal, frequentaria as festas da universidade, enfim, era uma cidade de milhões de pessoas, então o céu era o limite.

Só que a realidade veio e me deu um tapa na cara
Depois de uma semana dormindo em um albergue na cidade grande, arranjei um lugar para morar: um quartinho nos fundos da casa de uma idosa, próximo à universidade.

Não consegui interagir bem com as pessoas da cidade grande pois todo mundo que eu conversava já tinha seus respectivos grupos de amigos, e ninguém parecia muito disposto a acolher um forasteiro.

Também percebi que eu não era a pessoa excepcional que eu sempre achei que fosse, e a real é que ninguém na nova cidade parecia estar interessado em me conhecer ou sequer ouvir o que eu tinha para dizer.

Naquele momento a minha prioridade era arranjar um emprego, mas eu não tinha experiência, nem referência, nem absolutamente nada para escrever no currículo além de "ensino médio completo".

Arranjei trabalho numa indústria de premoldados e comecei a passar em média 3 horas por dia dentro de ônibus pra ir e voltar do trabalho.

O trabalho era horroroso, sem carteira assinada, com os peões traficando drogas em meio aos blocos de premoldados.

Primeiro emprego
Eu chegava na aula fedendo, morto de cansaço, enquanto os demais alunos estavam com aquela disposição de quem não fez nada o dia todo além de assistir séries e ficar na internet fuçando a vida dos outros no Orkut.

Não consegui fazer nenhum amigo na universidade pois me sentia muito diferente deles, tanto por vir de outro estado, quanto por não ter tempo livre pra nada por conta do trabalho.

Para agravar a situação, passei a almoçar marmitas enormes compradas em restaurantes de credibilidade duvidosa, e a jantar no Restaurante Universitário, cuja qualidade da comida era igualmente ruim.

Engordei bastante por conta da alimentação precária e da solidão, e nessa altura do campeonato eu era não só o excluído da sala, mas também o gordinho estranho com notas ruins que sempre sobrava na hora dos trabalhos em grupo, e que sempre era alvo de chacota toda vez que os professores divulgavam os resultados das provas.

Banhas. Era só o que me faltava.
Foram anos vendo a vida passar, trancado no quartinho que eu havia alugado no fundo da casa de uma velha mau-humorada. Todo mundo na universidade parecia estar vivendo a vida loucamente, enquanto eu era escravo do trabalho, do cansaço, da falta de dinheiro, das notas ruins, da completa exclusão social e das gordices.

Nessa altura do campeonato eu já tinha feito as pazes com o meu pai, mas ele sabia que eu estava trabalhando e me sustentando na cidade grande, então ele não me ajudava financeiramente, provavelmente porque não sabia que na verdade eu estava no fundo do poço.

Passei a visitar bem pouco a cidade do interior, pois não queria ser visto pelas pessoas de lá com aquele peso todo, parecendo o Faustão antes da cirurgia bariátrica, e também porque eu raramente tinha grana para pagar a passagem de ônibus.

Seu Madruga
Minha situação só começou a melhorar quando consegui um estágio numa repartição pública e larguei a indústria de pré-moldados.

O estágio pagava muito bem ao ponto de eu conseguir me sustentar, e só exigia que eu trabalhasse meio período.

Graças a isso consegui ter tempo livre e passei a frequentar a academia de segunda à sábado. Colocava o CD "Alive 2007" do Daft Punk e fazia no mínimo 1 hora por dia na esteira.

Vai gordinho
Queimei 34kg de banha nessa brincadeira e fiquei 10kg abaixo do meu peso ideal. Fiquei parecendo o Cazuza com aids e comecei a trabalhar para ganhar massa magra.

Minhas notas na universidade melhoraram bastante e isso deixou de ser uma preocupação.

Apesar do esforço na academia e nos estudos, a minha dedicação estava mesmo era no estágio. Comparado com o meu emprego anterior, o estágio era o paraíso na terra.

Conforme já contei no post "O estagiário cara de cu e o poder do networking", no estágio eu tive a oportunidade de conhecer bastante gente, e fiz o máximo possível para cair na graça dessas pessoas. Como eu não tinha vida social alguma, eu dedicava bastante tempo ao estágio e às pessoas que eu conhecia lá.

3.2) Vida adulta - parte boa

Concluí a graduação com ótimas notas e graças aos meus relacionamentos no estágio recebi três propostas de trabalho.

Uma dessas propostas consistia em abrir a empresa no qual sou sócio até hoje.

Os primeiros anos de empresa foram bem complicados, mas não vou entrar em detalhes pois esse post ficaria ainda maior do que já está.

Fiz um amigo na academia e graças a ele comecei a ter vida social. Saíamos todos os fins de semana para as calouradas e festas dentro do campus da universidade em que estudei.

Calouradas
Eu não tinha muita lábia, mas estava no auge da minha forma física e isso ajudava bastante. Levava vários foras numa noite, mas não me deixava abalar e ia tentando até encontrar alguma interessada. Toquei o terror nesse período, seduzi muitas moças, parti corações, fui babaca com meninas legais, fui legal com meninas babacas, enfim, foi uma loucura em que eu compensei anos de quase-celibato.

O Orkut era pura decadência e o Facebook já estava fazendo sucesso nessa época, quando fui adicionado por Hajna, a húngara paixão da adolescência, que estava mais bonita do que nunca.

OPA
Comecei a bater papo com ela no MSN e combinamos de nos encontrar. Penei para juntar o dinheiro necessário e comprei a passagem aérea para a Hungria.

Cheguei na Hungria sem um centavo no bolso, sério mesmo. Passei um mês na casa da família dela, sendo tratado como um rei pelos pais dela, os mesmos que anos atrás destruíram nosso namorico adolescente.

Viajei com ela por vários países da Europa de graça, tudo bancado pela família dela.

Vivi esse segundo namorico com ela sabendo que não tinha futuro, pois "as agendas não conciliavam", e relacionamento à distância é o caralho.

Voltei para o Brasil e continuei dedicado à minha empresa. Trabalhava de 8 às 19/20/21/22h e não sabia o que era fim de semana e feriado.

Enterrado em trabalho
3.3) Vida adulta - parte ótima

Meu amigo parceiro de baladas e calouradas engravidou uma mulher que ele nem conhecia direito e, como ela não abortou, ele se viu forçado a assumir a criança.

Quando a criança nasceu ele virou papai coruja e largou as baladas para tentar um relacionamento com a mãe no maior estilo "stay together for the kid".
Parabéns, papai.

Eu estava ok com isso, nessa altura do campeonato eu já tinha feito alguns novos amigos, e a real é que eu tinha enchido o saco de farrear.


Minha empresa começou a dar dinheiro e eu saí do cativeiro em que vivia nos fundos da casa da velha para alugar um apartamento. Fora isso, comecei a juntar cada centavo, para nunca mais passar pelo perrengue que passei quando trabalhava com pré-moldados.
Depois de anos tocando uma empresa que só andava de lado, finalmente dinheiro
Meu pai veio morar na minha cidade, casou novamente e teve uma filha que ainda é criança. Mora perto de mim e eu o visito semanalmente.

Arranjei uma namorada investidora, criei este blog, comprei um apartamento.

Agora, com quase 30 anos de idade, acredito ter o terreno capinado para plantar a renda passiva.

Embora meus aportes não sejam tão louváveis assim, acredito muito no potencial da minha empresa, pois tem um bom dinheiro em jogo e cedo ou tarde ele entrará no meu bolso.

Não fico ressentido com acontecimentos do passado, muito pelo contrário, tento não guardar rancor por não ver utilidade nisso.

Evito ao máximo pessoas propensas ao drama e à enrolação. Gosto de gente objetiva e que não usa mais palavras do que o necessário para passar uma mensagem. "Vá direto ao assunto" é a frase que eu mais uso fora desse blog.

Independência financeira para mim é sinônimo de liberdade para gerir o meu tempo na terra da forma que eu bem entender. Quero ter a liberdade de estar onde eu quiser, na hora que eu quiser, sem que trabalho, dinheiro ou outras obrigações me mantenham presos a uma determinada localização geográfica. Pode ser que esse conceito mude no futuro, mas no momento é assim que penso.

Esse post é um resumão de fatos relevantes da minha vida, para que vocês me conheçam melhor, pois o blog tem quase dois anos e reparei que falei muito pouco sobre mim. Muita coisa ficou de fora para não prolongar um post que já ficou bem grande.

Espero que tenham se divertido. Abraço!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Desempenho Fevereiro/2017

Fevereiro se foi e gostaria de deixar registrada a minha opinião sobre o carnaval: acho esse evento horroroso e gostaria que não existisse.

Blocos de rua são uma mistura de calor insuportável, barulho, cheiro de mijo e uma multidão de pessoas suadas roçando uma na outra.

Não entendo como alguém consegue olhar para isso e sentir vontade de estar aí no meio
O carnaval da Sapucaí, por sua vez, é a oportunidade que a Prefeitura do Rio dá para que a turma do jogo do bicho lave dinheiro e desvie dinheiro público, entregando em troca uma festa que considero bastante enfadonha.

Depois de uma hora assistindo isso, a coisa toda fica muito repetitiva
Retardados tomam conta das ruas. Pessoas que se comportam normalmente o ano inteiro sentem a necessidade de soltar a franga no carnaval, como se estivessem tentando compensar as frustrações que carregam em suas vidas.

Já presenciei todo tipo de retardo mental em carnaval. Foliões mijando na parede de prédios históricos de Ouro Preto, foliões tentando fazer um BRT tombar em Belo Horizonte, foliões mascarados se aproveitando da muvuca para cometer furtos dentro do metrô do Rio de Janeiro, e por aí vai.

Suruba no metrô
Do ponto de vista comercial, o carnaval também não me favorece.

Para a maioria dos celetistas e funcionários públicos, carnaval significa 2,5 dias e meio sem trabalhar, mas com a remuneração garantida no fim do mês.  Para mim significa 2,5 dias sem ganhar dinheiro, mesmo tendo que bancar toda a estrutura da empresa, inclusive o salário da secretária, que em vez de estar trabalhando foi para um evento do tipo "CarnaJesus".

Acadêmicos do Jesus Cristo
Enfim, estou aliviado com o fim do carnaval e em saber que não precisarei lidar com isso novamente pelo menos até o ano que vem.

Sem mais delongas, vamos ao desempenho de fevereiro:

Não tenho muito o que dizer. O aporte foi fraco pois a empresa faturou pouco, e a rentabilidade é ruim pois o dinheiro estava na poupança.

Os R$ 1,5 mil que ganhei no processo judicial citado no post retrasado só entrou na minha conta ontem, então só será contabilizado no post de desempenho do mês de março.

Por hoje é só. Vou tentar manter um post por semana neste mês de março.

Aquele abraço!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Guia Prático: ganhando dinheiro com processos judiciais

No último post comentei com vocês minhas experiências bem sucedidas com processos judiciais, em que lucrei processando empresas que de alguma maneira me sacanearam.

O post repercutiu bastante: muitos comentaristas também compartilharam suas experiências com processos na justiça, outros relataram situações em que gostariam de ter processado, mas acabaram desistindo pelos mais variados motivos.

O blogueiro Piloto Pobre contou que ganhou R$ 8 mil processando um banco
O objetivo do post de hoje é mostrar para vocês que lutar pelos seus direitos e processar empresas em um juizado especial cível ("pequenas causas") no âmbito do direito do consumidor não é nenhum bicho de sete cabeças.

Não pretendo abordar o assunto de uma maneira completíssima, pois se eu fizer isso o post vai ficar tão chato quanto uma faculdade de direito. Falarei sobre o básico, e quem tiver interesse pode pesquisar por conta própria e se aprofundar no assunto.

Sem mais delongas, vamos ao passo a passo de como processar empresas em um juizado especial cível:

1) Não seja um babaca

O que mais me motiva a processar uma empresa é a possibilidade de transformar um transtorno que ela me causou em dinheiro dentro do meu bolso. Digo isso em alto e bom som pois não há nada de errado em buscar compensação financeira quando alguém viola meus direitos de consumidor.

Mas lembrem-se de uma coisa, pessoal: para cada um dos processos que eu entrei eu tinha bons fundamentos. Essas empresas realmente me sacanearam de uma forma ou de outra, e o processo foi a solução que encontrei para virar esse jogo.

E essa é a primeira dica do dia: nunca entre com um processo sem motivo ou com motivos merdas. Processo não é loteria, justiça não é lugar para "se colar colou".

Não seja essa pessoa
2) Conheça seus direitos

Para saber se você tem ou não um bom motivo para processar uma empresa, é preciso que você conheça seus direitos. 

Para isso, leia e entenda o Código de Defesa do Consumidor. É uma lei pequena e de fácil compreensão que traz os direitos básicos do consumidor, bem como os deveres dos fornecedores de produtos e serviços.
Essa lei é tão importante para nosso dia-a-dia que deveria ser matéria obrigatória no ensino médio, mas aparentemente estudar as peculiaridades da mitocôndria é mais importante...
Com o estudo dessa lei, você já começa a ganhar o discernimento necessário para saber se está sendo vítima de uma prática abusiva por parte de um fornecedor ou não.

3) Documente tudo

Não há nada mais importante em um processo judicial do que sua capacidade de comprovar que o que você está falando é verdade.

Lembrem-se: o juiz julga com base nas provas.
Assim, se você se encontrar diante de uma situação que considera abusiva, documente a porra toda. Não jogue fora nenhum comprovante, não delete nenhum e-mail recebido da empresa, anote todos os números de protocolo de chamadas telefônicas com o SAC da empresa, enfim, colha o máximo de informações possíveis que posteriormente servirão de prova para tudo que você escrever no seu processo.

4) Conheça a dinâmica dos juizados especiais cíveis

4.1. Você não precisa de um advogado!

Você não precisa de um advogado para entrar com processo em juizado especial cível quando o valor econômico da causa for inferior a 20 salários mínimos. No entanto, se o juiz lhe der uma sentença desfavorável e você quiser recorrer, aí você terá que arranjar um advogado para apresentar o recurso. De igual maneira, se o juiz lhe der uma sentença favorável e a empresa que você processou recorrer, você precisará de um advogado caso queira apresentar resposta ao recurso dela. 

Para mais detalhes sobre como entrar com um processo sem advogado, sugiro que você procure se informar com um servidor que trabalhe em juizado especial cível na sua cidade. 

Aqui na minha cidade o juizado te dá um formulário onde você tem que descrever o que se passou da maneira mais compreensível possível, e após a descrição você deve fazer os requerimentos (danos materiais, danos morais etc). Depois disso você anexa suas provas e devolve pro servidor público. Simples assim.

4.2. Você não precisa pagar nada.

O juizado especial cível é 100% grátis até a sentença. Isso mesmo, você pode entrar com um processo sem pagar uma taxa judicial sequer. No entanto, se o juiz lhe der uma sentença desfavorável e você quiser recorrer, vai ter que pagar uma taxa recursal, além de precisar contratar um advogado para entrar com o recurso. 

Se você receber uma sentença desfavorável, recorrer e perder no recurso também, vai ser condenado a pagar honorários para o advogado da parte contrária, cujo valor será definido pelo juiz. 

Então, amigo, se você recebeu uma sentença desfavorável e não quer gastar dinheiro, a solução é simples: não recorra. O processo será arquivado e você segue com sua vida.

4.3. Fique atento aos atos judiciais

Compareça nas audiências que forem designadas, do contrário o processo será arquivado por abandono.

Geralmente você é notificado dos atos processuais relevantes por carta, mas se você não confia nos Correios eu sugiro que descubra como acompanha andamento de processo pela internet e dê aquela conferida de tempos em tempos.

5) "Madruga, achei isso tudo que você escreveu muito complicado"

Se você não está se sentindo seguro em entrar com um processo sem um advogado, a solução é simples: contrate um advogado.

Ao contratar um advogado, você pode dormir tranquilo pois repassa para um profissional todo o trabalho de entrar com o processo e acompanhá-lo até o final.
Procure um advogado de confiança
Conhecendo bem os colegas da blogosfera de finanças, imagino que boa parte das pessoas que estão lendo este post não gostaria de gastar dinheiro com um advogado, não é mesmo?

Bom, nesse caso, procure um advogado que concorde em fazer um contrato de risco

Contrato de risco é muito simples: o advogado concorda em tocar o processo para você sem te cobrar nenhum valor. Se você ganhar a ação, o advogado recebe uma porcentagem sobre o dinheiro que você efetivamente receber no processo (vocês tem que pré-combinar essa porcentagem, obviamente). 

Por outro lado, se você perder a ação, o advogado não recebe nada e literalmente trabalhou de graça (daí o nome contrato de risco).

Se você tem algum parente próximo ou amigo que é advogado, é possível que ele concorde em fechar esse tipo de contrato contigo. Advogados em início de carreira também estão bem propensos a aceitar contrato de risco.

Tem 14 advogados por metro quadrado no Brasil, então creio que você não tenha dificuldade em encontrar um. O importante é que seja alguém de confiança.
6) Finalizando o post

Demorei para entregar esse post pois escrevi ele completamente, perdi o que escrevi e tive que começar a reescrever do zero, o que me deixou bem puto. 

Juizados Especiais Cíveis são bem informais, além de não cobrarem nenhuma taxa até a sentença, nem exigirem a presença de um advogado até a sentença. Isso tem um motivo: garantir o acesso do cidadão comum à justiça. São direitos seus. Faça bom uso disso quando a oportunidade aparecer. 

Espero ter ajudado. Aquele abraço!