Em 2017 completei 30 anos e, talvez por ser uma marca simbólica na vida de qualquer pessoa, passei a prestar mais atenção no que está acontecendo ao meu redor.
Eu não sei em que fase da vida vocês leitores se encontram, mas no meu caso de recém-trintão o que aconteceu foi o seguinte:
Quem namorava noivou e postou nas redes sociais a "foto das mãozinhas" seguida de um discursinho emocionado sobre como estão ansiosos para começar essa nova jornada.
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Vi bastante essa foto em 2017. |
Quem estava noivo casou, com direito a festa chique que deve ter custado algo entre R$70k e R$ 100k, e depois disso foram passar a lua de mel onde todo mundo passa lua de mel (Aruba, Curacao, Paris etc).
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Outra foto que vi bastante em 2017. Uma pose-padrão que todo fotógrafo de casamento manda o noivo fazer. |
Muita gente trocou um hatch por um sedã, afinal você tem 30 anos e além de sentir que merece um possante, não custa nada mostrar para a sociedade que você está bem de vida e é capaz de parcelar um carro em 30x, não é verdade?
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Investe num Corolla 2018, você merece. |
Quem está casado anunciou gravidez e fez "chá revelação" pra revelar pra todo mundo o sexo do bebê.
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O tal do "chá de revelação", mais uma ótima ideia pra tirar dinheiro de trouxa |
Quem estava grávida pariu uma criança e deu um nome da moda tipo Enzo, Téo, Ravi e Valentina.
Quem já tinha parido há meses pagou um fotógrafo para registrar o pequeno Enzo socando um bolo ("smash the cake"), afinal você tem que ter uma foto do seu príncipe cagado no chantily.
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Agora tenho essa foto super original do meu Enzo destruindo a porra toda |
Quem pariu um Enzo em 2016 pagou entre R$ 10 e 15 mil para alugar um cerimonial infantil e fazer a festa temática/gourmet de 1 aninho do príncipe.
Com um ano de idade o príncipe Enzo tem o grau de consciência de um couve-flor e não vai guardar qualquer memória do evento, mas é importante investir numa festinha de R$ 15k pro seu pequenino, afinal todos os amiguinhos do seu Enzo tiveram uma festinha também.
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Fui em duas festas com o tema circo |
Essa é a fase da vida em que me encontro, e esse é o script que todo mundo está seguindo.
Quando digo todo mundo, refiro-me à bolha em que vivo: trintões de classe média em uma determinada localização geográfica do Brasil.
Pode ser que você não viva nessa realidade e não se identifique com o post de hoje, mas tudo bem, eu só queria dizer o que testemunhei em 2017 mesmo.
Me pergunto o que diabos faz os meus contemporâneos e conterrâneos seguirem um mesmo script. Ou eles têm medo da liberdade e encontram conforto numa vida "control c control v", ou eles nem percebem que estão vivendo uma "vida padrão", o que é ótimo pro fotógrafo, pro cerimonialista, pro agente de viagens e outros vendedores de experiências "únicas".
2017 serviu para confirmar um sentimento que eu já tinha dentro de mim: eu não quero seguir esse script. Não tenho um plano 100% definido pra minha vida, mas certamente não vai consistir em ficar pagando caro por experiências padronizadas.
Não fiz o post pra ofender casados, papais e mamães. Um dia provavelmente casarei e botarei Madruguenzo no mundo. É do script caro e escroto que estou reclamando no post de hoje, o qual eu vou me opor com bastante gosto quando se minha hora chegar.
E vocês, amigos, também percebem esses padrões na vida alheia? Como se sentem em relação a isso?
Aquele abraço!