Estava lendo um blog gringo de um cara que alcançou a independência financeira, parou de trabalhar e passou a viver de renda passiva. Vejam só como o sujeito descreveu a própria vida:
Minha vida ainda é um pouco estruturada pois minha esposa tem um emprego e nós dividimos um carro, então eu tento deixá-la no trabalho e buscá-la. Eu penso em jogar golfe a maior parte do tempo. Eu joguei golfe cinco vezes na semana passada, mas geralmente jogo três ou quatro vezes por semana, tirando um dia de folga após cada partida. Em dias em que tiro folga (como hoje), eu sinto como se estivesse sem jogar há anos e fico pensando na próxima partida.
O cara alcançou meu maior objetivo, que é viver de renda passiva, e agora sua rotina consiste em levar a esposa pro trabalho e jogar golfe.
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| Porra, blogueiro gringo! Fiquei entediado só de me imaginar numa vida assim. |
Depois disso pensei melhor e vi que blogueiro gringo está fazendo a coisa certa. Basta reler as palavras dele para ver como ele está entusiasmado e feliz com o golfe, então quem sou eu para julgá-lo? O cara vive de renda passiva e gasta o tempo dele com o que o faz feliz, ponto final!
Não existe certo ou errado para a felicidade, a não ser que sua felicidade consista em molestar crianças, violar sepulturas, assistir Encontro com Fátima Bernardes e outras atitudes doentias, ou em tomar decisões autodestrutivas que atentam contra a sua saúde mental, física e financeira.
Mas se eu não sinto prazer algum em jogar golfe compulsivamente tal qual o blogueiro gringo, o que a independência financeira representa para mim? Por que diabos acordo pensando em renda passiva e durmo pensando nela?
Os meus motivos eu listo a seguir:
1) Liberdade de não trabalhar
O maior motivador da minha busca pela independência financeira é não precisar mais trabalhar. É saber que eu estou livre de uma obrigação que ocupa manhã e tarde da maior parte das pessoas, e que posso dedicar meu tempo livre a ler livros, escrever no blog, buscar conhecimento, praticar exercícios físicos, me alimentar da melhor forma possível e fazer coisas improdutivas como ver séries, ouvir música e encher o saco das pessoas.
Há quem veja essa ideia de não trabalhar como algo anticapitalista, mas lembre-se que estou falando de parar de trabalhar por viver de renda passiva, ou seja, mais capitalista impossível.
Antes que alguém atire essa pedra, devo dizer que não sou infeliz no meu trabalho. Muito pelo contrário: tenho conforto e autonomia profissional bem acima da média e me dou bem com todo mundo que lido diariamente. Ainda assim, nada supera minha vontade de me ver livre da obrigação da trocar vida por dinheiro.
2) Mobilidade
Mobilidade é consequência da liberdade que a renda passiva pode proporcionar. Mobilidade pra mim significa estar onde eu quiser, quando eu quiser.
Seu primo está com vontade de conhecer Gramado? Poxa vida, ele não tem dinheiro nem tempo pra isso. Quem sabe um dia ele consiga, com o devido planejamento.
Você é independente financeiramente e acordou com vontade de ir para a Bulgária? Parabéns, você tem tempo e dinheiro pra isso.
Como não sou casado nem tenho filho, a única coisa que me prende geograficamente a determinado lugar é o trabalho, e parar de trabalhar significa mobilidade absoluta, podendo ir pra onde quiser sem precisar avisar pra ninguém ou me preocupar com quem deixei para trás.
Seu primo está com vontade de conhecer Gramado? Poxa vida, ele não tem dinheiro nem tempo pra isso. Quem sabe um dia ele consiga, com o devido planejamento.
Você é independente financeiramente e acordou com vontade de ir para a Bulgária? Parabéns, você tem tempo e dinheiro pra isso.
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| Boa viagem. |
3) Proximidade com certas pessoas
Tenho amigos e familiares espalhados pelo Brasil e em outros países. Raramente os vejo, pois quando você trabalha só consegue se deslocar grandes distâncias por um bom período de tempo durante as férias.
Com a independência financeira eu gostaria de visitar essas pessoas com uma frequência bem maior, e a liberdade de não trabalhar somado à mobilidade permitem isso.
4) Imigração permanente
Tá aí um assunto que eu nunca mencionei aqui no blog, mas que tenho sempre em mente. O Estado brasileiro é uma organização criminosa, e eu não necessariamente morro de amores por viver embaixo desse guarda-chuva.
Gostaria de viver em um país com menos insegurança, menos supremacia do funcionalismo público sobre a iniciativa privada e menos filhos da puta passando a rola na cara do cidadão comum todo santo dia. Não faço questão de viver num país perfeito, mas avacalhado como o Brasil aí já é demais.
Vocês devem ter visto nos jornais a Ministra que fez uma analogia ao trabalho escravo para pedir vencimentos de R$ 61 mil/mês. Parece ser um caso único de Ministra sem noção que falou besteira, mas a real é que esse tipo de deboche é diário, permanente, presente em todas as esferas dos três poderes e no Ministério Público, de forma que até o órgão que deveria lutar contra a festa do cachorro louco também mama na teta com auxílios e penduricalhos.
Gosto do Brasil, mas acho que prefiro visitar o país como turista quando der vontade em vez de ser um morador. Sem sombra de dúvida uma bela renda passiva contribui para um projeto imigração.
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| Vai sair do país? Poxa, fica mais. |
Breve conclusão:
Meu sonho de independência financeira não inclui carro importado e uma mansão com 30 mulheres dançando na piscina ao som de Mc Rodolfinho.
É algo bem mais simples que isso, e consiste em parar de trabalhar, possivelmente sair do país de forma definitiva, estar onde eu quiser e quando eu quiser, estar mais próximo de boas companhias, aprender novos idiomas e conhecimentos práticos úteis, abandonar as refeições apressadas e os exercícios físicos com sono, enfim, usar meu tempo na terra com mais qualidade.
E aí, pessoal, quais são seus planos pós independência financeira?
Meu sonho de independência financeira não inclui carro importado e uma mansão com 30 mulheres dançando na piscina ao som de Mc Rodolfinho.
É algo bem mais simples que isso, e consiste em parar de trabalhar, possivelmente sair do país de forma definitiva, estar onde eu quiser e quando eu quiser, estar mais próximo de boas companhias, aprender novos idiomas e conhecimentos práticos úteis, abandonar as refeições apressadas e os exercícios físicos com sono, enfim, usar meu tempo na terra com mais qualidade.
E aí, pessoal, quais são seus planos pós independência financeira?
Aquele abraço!






































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