terça-feira, 19 de maio de 2015

Madruga e Dona Clotilde voando de graça para a Europa

I - Mini-introdução

Faz um tempo que venho querendo compartilhar essa novidade com vocês, mas me contive até ter 100% de certeza de que a situação é definitiva. 

Pra você não ficar decepcionado depois de ler, já aviso de antemão que não tem nada a ver com empreendedorismo ou investimento. 

II - A cagada 

Quem se lembra da cagada épica praticada por uma certa empresa aérea holandesa em dezembro do ano passado?

Se você não lembra ou não faz ideia do que estou falando, calma que eu explico:

No finalzinho do ano passado, em pleno dia conhecido como cyber monday (é a segunda-feira imediatamente após a black friday), a empresa aérea KLM disponibilizou em seu site passagens de ida e volta para a Europa por módicos R$ 500,00. Isso mesmo que você leu, ir e voltar da Europa por quinhentas dilmas, já com todas as taxas inclusas.

A notícia dessa promoção se espalhou na velocidade de um tumor maligno, em sua maioria graças a sites como o Melhores Destinos, que vivem de rastrear promoções de passagem aérea e espalhá-las aos quatro ventos.

Enfim, milhares de consumidores brasileiros tomaram conhecimento da promoção e realizaram a compra das passagens baratas.

Depois de um ou dois dias, a empresa aérea cancelou a maioria das transações alegando que a emissão das mesmas foi um erro no sistema, e não uma promoção.

Esse cancelamento em massa rendeu à empresa aérea uma bela queimação de filme a nível nacional (ler aqui, aqui e aqui) e uma série de processos judiciais movidos por consumidores furiosos que queriam fazer valer seu direito de ver a oferta cumprida.

III - Do céu ao inferno em 36 horas

Eis que naquele famigerado dia de cyber monday, o Madruga tomou conhecimento da promoção e realizou a compra de passagens de ida e volta para a Europa, para ele e para a Dona Clotilde, por módicos R$ 1.080,00 (todas as taxas já inclusas).

Faça as malas, mulher, pois vamos para a Europa mês que vem”, disse o Madruga à Dona Clotilde, compartilhando a boa notícia e se achando o melhor namorado do mundo.

Mesmo depois de ter dado recibo de quitação, a empresa aérea cancelou minha transação sob o pretexto de “erro no sistema”, me reembolsou e eu tomei no cu, tendo que avisar para Dona Clotilde que o sonho dela de conhecer a Europa teria que ser substituído por um passeio em Petrópolis ou qualquer merda do gênero. 


IV – O Madruga contra-ataca


Sem perder muito tempo, tratei de ingressar com ação judicial contra a empresa aérea e, para a minha surpresa, a sentença saiu rapidinho, no seguinte teor:

- Condenou a empresa aérea a emitir as quatro passagens que comprei, pelo preço que paguei (R$ 1.080,00), na data que eu bem entender, sendo que eu tenho até o fim de 2016 para entrar em contato com a empresa e dizer qual data eu quero viajar, e se eles não emitirem as passagens na data que eu quiser, pagarão multa.

- Condenou a empresa aérea a pagar R$ 10.000,00 de danos morais.

Não foda comigo, KLM: a indescritível sensação de dever cumprido quando uma sentença supera e muito as suas expectativas.

V – O recurso da empresa aérea

 A empresa aérea tratou de recorrer da sentença.

Fui no julgamento do recurso e a justiça manteve a condenação da empresa aérea em emitir as passagens nos termos que eu disse ali em cima, mas diminuiu a condenação ao pagamento de danos morais de R$ 10.000,00 para R$ 1.200,00.

Madruga puto no julgamento do recurso, vendo os R$ 10k de dano moral indo embora de sua vida
Pra ser sincero não fiquei tão puto assim. Eu sei que o tribunal aqui do Estado costuma dar R$ 5k-10k pra quem foi abandonado pelo plano de saúde em situação de vida ou morte... parte de mim sabia que uma condenação de R$ 10k por causa de um mero inadimplemento por parte da Cia Aérea não ia prevalecer.

VI – Moral da história

Ganhei:

- o direito de viajar para a Europa com a Dona Clotilde na data que eu bem entender pagando módicos R$ 1.080,00.
- R$ 1.200,00 de dano moral.

Em outras palavras: transporte grátis para a Europa e retorno para o Brasil, e ainda sobram R$ 120,00, que deve ser o preço de um pão de queijo no aeroporto de Guarulhos.

Se mais alguém por aqui passou por essa situação e tem dúvidas sobre processo, fique à vontade para comentar, tentarei ajudar na medida do possível (só não me peça o número do processo, cópia das peças processuais ou das decisões... o anonimato vem sempre em primeiro lugar).

VII – Você pode estar pensando...

Madruga, você é uma pessoa desonesta que tirou vantagem de um erro no sistema. É por causa de gentinha como você que o Brasil não vai pra frente.

Calma lá, miguxo, não é bem assim.

Como eu disse anteriormente, o suposto "erro no sistema" aconteceu justamente em plena cyber monday, data em que centenas de empresas baixam consideravelmente seus preços seja para vender mais produtos e serviços, seja para apenas se divulgar.

O suposto "erro no sistema" foi divulgado por vários sites especializados em venda de passagens como se uma promoção fosse, inclusive a própria empresa aérea declarou se tratar de uma oferta especial.

Eu realmente acredito que, assim como eu, milhares de outros consumidores acreditaram se tratar de uma oportunidade imperdível e fizeram a compra das passagens na mais absoluta boa-fé.

E não me venha sentir pena dessa empresa aérea, que pertence à Air France, um dos maiores grupos de transporte aéreo do mundo. Uma empresa desse porte não pode cometer uma cagada dessas, e se comete não pode tentar despejar as consequências de sua própria cagada no consumidor.

Estamos no mundo dos adultos: quando eu erro eu pago o preço, se ela errou vai ter que pagar o preço também.

Abraço!

domingo, 3 de maio de 2015

Desempenho abril/2015


Abril foi um mês de grandes expectativas para mim, mas que terminou com um aporte broxa e uma evolução patrimonial pífia.

Olho para o meu trimestre de 2015 e só consigo pensar em uma coisa: que bosta.

De qualquer modo, por mais que esse 1º trimestre tenha sido fraco, ainda acredito que conseguirei fechar o ano com 100k ou algo muito próximo disso.

Abraço!

terça-feira, 28 de abril de 2015

Apps para controle de gastos

"Com o que diabos eu gastei o meu dinheiro?" era uma pergunta muito recorrente em minha vida, até que resolvi colocar meu celular à serviço da busca pela independência financeira.

Em meio a enorme quantidade de lixo que permeia a seção de finanças da appstore, testei vários apps de controle de receitas/despesas, e hoje venho aqui perante Vossas Senhorias falar sobre dois deles.

Moni



Esse app me cativou pela sua simplicidade, e graças a isso tive uma história de amor com ele que durou mais de um ano.

O moni tem um conceito bastante simples: crie as categorias que bem entender e depois clique no + para registrar uma receita e no - para registrar uma despesa.

Segue uma foto da interface do app retirada do google imagens:

A foto está em inglês mas o app é compatível com PT-BR e R$

Com o moni baixado em meu celular, criei as categorias "Conta Corrente", "Poupança" e "Dinheiro em mãos" e assim fui tocando minha vida, anotando cada receita ou despesa feitas nessas categorias.

Porra, Madruga, anotar cada peidinho financeiro me parece desnecessário e trabalhoso. 

Caras, eu estou muito satisfeito em ter 100% de controle sobre os meus gastos e minhas receitas. Isso me permite ter um panorama completo sobre onde foi parar cada real gasto, e isso me deu mais senso crítico sobre como controlo o meu dinheiro. 

Por exemplo: você lembra exatamente de todas as despesas que teve em novembro do ano passado? Você provavelmente não lembra, e por isso você não tem como olhar pra trás e tirar lições pro futuro, pois não sabe se o dinheiro foi mal gasto ou bem gasto.

Confesso que no começo não foi fácil acostumar a registrar cada transação, mas depois que peguei no embalo não parei mais, até porque não demora nem 20 segundos pra tirar o celular do bolso e registrar uma receita ou despesa.

Se ainda assim você acha que registrar cada centavo é nazismo financeiro demais pro seu gosto, você pode, por exemplo, sacar R$ 100/mês de sua conta corrente, registrá-lo como "saque pra viver a vida" em seu moni e gastar esse dinheiro como bem entender. Dessa forma você tem R$ 100,00 (ou quanto quiser) livres de qualquer registro e o resto do dinheiro totalmente sob seu controle.

Chega de falar desse app, vamos partir para o próximo:


Meu porquinho



CALMA, eu sei o que você está pensando, mas não julgue um livro pela capa. Esse nome gay e logotipo infanto-juvenil escondem um dos apps mais fantásticos para controle de gastos que já vi na vida.

Como eu disse anteriormente, o que me motivou a usar o moni foi sua simplicidade. Ironicamente, a simplicidade foi também o motivo que me levou a parar de utilizá-lo: o moni nada mais é que um gigantesco extrato de receitas e despesas. Se você quiser analisar o seu mês de março de 2013, por exemplo, você tem que passar 15 minutos escrollando pra baixo até chegar nesse período.

Foi por essas e outras que meu relacionamento com o moni foi esfriando e passei a sair por aí nas madrugadas explorando outros apps de controle financeiro enquanto o moni chorava em casa por causa da minha infidelidade.

O olhar sedutor do porquinho rosa ali em cima roubou me seduziu, de modo que arrastei o moni para uma pasta inútil do meu iphone e o abandonei (só não deletei pois ele contém mais de um ano de registros e exportar dados nele exige conta premium).

O Meu Porquinho segue a mesma lógica do moni: você cria as categorias que quiser e vai registrando as receitas e despesas. Segue a interface dele:


O toque de mágica desse app é o seguinte: ele te entrega de bandeja um panorama geral dos seus gastos com base nas categorias que você mesmo criou.

Ao contrário do moni, não há a necessidade de você sentar numa mesa e analisar transação por transação para saber como o seu dinheiro vem sendo utilizado. 

Com apenas algumas dedadas na tela de seu celular, o Meu Porquinho cria gráficos (em forma de pizza ou de rosca) que já lhe permite de cara avaliar com o que diabos você anda gastando suas dilmas:

Nesse gráfico pode constar seus gastos com remédios, putas, drogas ou qualquer categoria que você quiser criar.

E o mais legal de tudo é que é possível criar gráficos também por períodos. Quer um gráfico retratando um ano de gastos? O meu porquinho te mostra. Quer um gráfico só do mês de março? O meu porquinho te mostra.

Enfim, eu citei o moni nesse post mais por respeito ao período em que ele me foi útil, mas o fato é que o Selo Madruga de Qualidade vai para o Meu Porquinho.

Esperto que lhe seja útil.

Abraço do Madruga!

PS: ambos os apps são gratuitos (ao menos eram na data deste post).
PS2: Eu não sei dizer se esses apps estão disponíveis para Android.
PS3: Fiquem à vontade para sugerir outros apps de finanças. 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

5º mandamento do empresário prestador de serviços

5 - A empresa é lugar para fazer dinheiro, e não caridade
Sei que esse mandamento parece óbvio, mas nada é tão óbvio assim quando envolve sustento de outras pessoas e suas respectivas famílias.

Trabalhei por um tempo numa empresa de consultoria e o que mais me chamou a atenção nesse período foi uma funcionária chamada Rose (nome fictício).

A existência da Rose não me chamou a atenção positivamente, muito pelo contrário: ela custava aproximadamente R$3.5k mensais para a empresa - que nem tinha uma demanda contábil tão grande assim -, enquanto eu conhecia ao menos três excelentes empresas de contabilidade que fariam o mesmo serviço que ela por 1/3 desse valor!

Mas enfim, eu era apenas um humilde jovem em seu primeiro emprego, então não queria "chegar chegando" na empresa que tinha acabado de me contratar, muito menos apontar o dedo pros outros chamando de inútil e sugerindo a terceirização da contabilidade.

Optei por ficar na minha fazendo meu trabalho e lidando com o fato de que próximo a mim ficava aquele passivo de 3.5k/mês demorando três horas pra emitir uma nota fiscal eletrônica e perdendo tardes inteiras em fila de banco por não saber pagar um DARF pela internet.

Vamos para a parte em que a história toma contornos bizarros:

Numa não tão bela manhã, eis que Rose entra na nossa sala completamente pelada,  e vai andando em silêncio em direção à janela.

A reação do Madruga que virou pra dar bom dia e se deparou com a Rose peladona
É sério, meus caros, a moça só não se jogou janela abaixo pois foi segurada pelo auxiliar-administrativo que dividia a sala conosco, que tratou de acalmá-la enquanto ela chorava e agonizava feito um suíno sendo abatido.

Mais tarde, conversando com o dono da empresa, ele me explicou que a Rose toma remédio controlado e vez ou outra surta, geralmente porque deixou de tomar o remédio ou por ter bebido algo alcoólico que anulou o efeito da medicação. Fiquei sabendo que a tentativa de suicídio sensual que eu tinha testemunhado naquele dia poderia ser considerado um surto "light" se comparado ao que ela já aprontou quando saiu do controle antes.

Perguntei ao dono da empresa se não era melhor mandá-la embora ou encostá-la no auxílio-doença. Aproveitei para mencionar que terceirizar a contabilidade era muito mais fácil e econômico, coisa que ele já sabia. Bom, eis o que ele respondeu:

"Madruga, conheço a Rose desde a década de 80. Ela é uma pessoa muito boa, mas muito boa mesmo. Você viu que ela tem problema, e esse tipo de problema só piora se ela não tiver emprego e passar o dia todo ociosa". 

Foi aí que entendi tudo: a empresa tolerava um passivo de 3.5k mensais pelo simples fato de que o dono temia pela vida dela caso ela ficasse desempregada.

Se estivéssemos falando da porra da PwC até daria pra levar, mas se tratava de uma empresa com uma margem de lucro não tão alta assim, de modo que esses R$ 3.5k pesavam no orçamento.

Do ponto de vista humanístico, manter a Rose era uma atitude nobre, mas do ponto de vista empresarial era algo bastante estúpido.

Com o tempo eu detectei outras atitudes estúpidas, tais como uma excessiva tolerância com clientes inadimplentes (que alegam "dificuldades financeiras" mas andam por aí de corolla novo), e também uma relutância em demitir uma secretária cuja falta de cortesia era constantemente alvo de reclamação dos clientes, mas a secretária não podia ser demitida pois "ela usava o salário dela pra pagar a faculdade que ela está cursando".

Eis a questão: você monta uma empresa pra bancar o Jesus e se sacrificar pelos outros ou pra ganhar dinheiro? Se a resposta for a primeira, volte ao início do post e leia o mandamento em negrito.

Calma lá, Madruga, há casos e casos!

Sim, concordo, há casos e casos. Por exemplo, não faz sentido mandar um bom funcionário embora se o problema pessoal dele for pontual. Consigo pensar em uma série de exceções ao mandamento que citei no início do post, mas são exceções, a regra é e deve sempre ser: empresa é lugar para fazer dinheiro, e não caridade.

Poxa, mas sempre achei lindo quando uma empresa tem responsabilidade social.

Se você tem mais de cinco anos sabe muito bem que a "responsabilidade social" das empresas, por mais que realmente beneficie pessoas, é mais uma campanha de marketing do que qualquer outra coisa. É pela total ausência do imperativo categórico kantiano que as empresas fazem questão de soltar aos quatro ventos os seus "esforços para melhorar o mundo".

Por hoje é só. Aquele abraço!
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